Resultado do concurso de Fotografia Infantil “Natal – Um olhar” – 7 aos 12 anos

 1º prémio – Subgrupo dos 7 aos 12 anos.

Carolina Correia, 7 anos, filha de Miguel Correia (Divisão Académica)

A FCSH/NOVA agradece a participação de todos! Parabéns aos “fotógrafos”!

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Resultado do concurso de Fotografia Infantil “Natal – Um olhar” – 0 aos 6 anos

1º prémio (ex-aequo) – Sub-grupo dos 0 aos 6 anos.

Carolina Ribeiro, 6 anos, filha de Carla Saraiva (Divisão de Património e Economato) e Marta Oliveira, 6 anos, filha de Paulo Oliveira (Núcleo de Marketing e Comunicação).

A FCSH/NOVA agradece a participação de todos! Parabéns aos “fotógrafos”!

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Vencedores do Prémio de Empreendedorismo – Langsletter

Série de entrevistas com as empresas vencedoras do Prémio de Empreendedorismo FCSH/NOVA/Santander Totta – Melhores Planos de Negócio 2015.

Os vencedores do terceiro prémio foi a empresa Langsletter.

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1 – Em que consiste o projeto?
A Langsletter é um projecto de integração de alunos de intercâmbio na língua e na cultura portuguesa. Por experiência própria sabemos que a integração num país estrangeiro não é fácil ao início e portanto saber o básico da língua pode ser muito útil! Por outro lado, gerir uma agenda preenchida com aulas, festas e viagens em termos de tempo e dinheiro é um desafio… que nós queremos tornar mais acessível.
A proposta da Lansgletter é baseada numa metodologia de blended learning em que os alunos recebem no seu email uma newsletter semanal com conteúdos interativos que depois podem consolidar em encontros semanais onde vão poder ainda tirar dúvidas, conhecer outros colegas e… outras surpresas que estamos a preparar para eles!

2 – A vossa aposta centra-se na venda de produtos, serviços ou uma conjugação de ambas?
A Langsletter é um serviço que inclui as newsletters, a primeira edição está disponível gratuitamente aqui!, exercícios complementares à aprendizagem no site e os encontros semanais.

3 – Como foi desenvolvida esta ideia?
Ao longo dos últimos anos temos tido um contacto muito próximo com a cultura Erasmus através do voluntariado que desenvolvemos em associações de estudantes que lidam com estudantes internacionais (AIESEC e Erasmus Student Network) e essa foi provavelmente a maior influência.
A ideia da Langsletter surgiu depois de termos sido colegas de estágio no Gabinete de Empreendedorismo da Universidade NOVA de Lisboa. Todo o espírito empreendedor a que fomos expostas durante o exercer das nossas funções, desde de ajudar na preparação das aulas da Starters Academy, escrever sobre eventos de empreendedorismo e ter ouvido dezenas de ideias durante esses meses levou-nos a querer muito desenvolver este projeto.

4 – De que forma a FCSH/NOVA pode contribuir para o sucesso comercial do projeto?
Contamos com a FCSH/NOVA para nos ajudar a chegar aos alunos de intercâmbio da NOVA, seja através das suas plataformas digitais, organização conjunta de eventos, Welcome Days aos Erasmus… para além disso gostaríamos de expandir a equipa com alunos da NOVA que tenham estudado educação e que tenham interesse.

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Vencedores do Prémio de Empreendedorismo – My Santo António

Série de entrevistas com as empresas vencedoras do Prémio de Empreendedorismo FCSH/NOVA/Santander Totta – Melhores Planos de Negócio 2015.

Os vencedores do primeiro prémio foi a empresa My Santo António leia a entrevista!

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Investigadora do IEM no programa de televisão da RTP Visita Guiada

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Mosteiro de Lorvão

Maria Adelaide Miranda, investigadora do IEM – Instituto de Estudos Medievais, centro de investigação da Faculdade, participou no programa  Visita Guiada da RTP, enquanto historiadora especialista, para apresentar as iluminuras dos manuscritos produzidos no Mosteiro de Lorvão e que hoje estão depositados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Esta visita dá a conhecer ao grande público este importante património cultural português, de onde se destaca o “Apocalipse de Lorvão”, manuscrito iluminado do século XII, recentemente inscrito no Registo Memória do Mundo pela UNESCO, e considerado por muitos como um dos mais belos e originais manuscritos produzidos pela civilização medieval ocidental.

Ver: Episódio na plataforma RTP Play | Facebook do programa Visita Guiada da RTP

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Gabriel Moacyr completa doutoramento na FCSH/NOVA com 82 anos

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Gabriel Moacyr Rodrigues, nascido em 1933, é um dos mais recentes – e certamente um dos mais idosos – alunos a completar um doutoramento na FCSH/NOVA. Conheça aqui, em discurso direto, os motivos que levaram este natural de Cabo Verde a completar uma formação superior em Ciências Musicais, na variante de Etnomusicologia!

“A minha tese tem por título “O papel da morna na confirmação da identidade nacional em Cabo Verde”. O que me influenciou na escolha do tema foi o meu envolvimento, desde criança, com as músicas populares de todo mundo latino e europeu. Por haver gramofone em minha casa e ter uma boa relação com músicos no Mindelo, cidade da ilha de S. Vicente, em Cabo Verde, desafiaram-me para saber mais sobre a nossa música.

Não só aconselharia, como aconselho a FCSH/NOVA aos que pretendem adquirir conhecimentos na área de estudos musicais. O que me motivou a inscrever-me num curso de doutoramento foi a vontade em adquirir conhecimentos aprofundados na área musical, de modo a dedicar-me aos estudos das nossas músicas. Elas são tantas e é cada vez mais necessário falar com propriedade delas, para evitar que se continue a dizer “patranhas” acerca delas, inclusive em Cabo Verde”.

Gabriel Moacyr Rodrigues

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NOVA Debate em entrevista

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Tomé Ribeiro Gomes, Presidente do NOVA Debate, aceitou responder a algumas questões sobre a atividade deste grupo

– Em que consiste a NOVA Debate?

A NOVA Debate é uma sociedade de debate universitário da NOVA. Foi fundada na Faculdade de Economia em 2012, por um grupo de alunos que sentiu falta de discutir problemas centrais da nossa sociedade de uma forma mais holística e menos unidimensional – como inevitavelmente acontece num curso universitário.

Realizamos sessões de debate todas as semanas com temas das mais variadas áreas do saber. Estas dividem-se entre sessões de debate competitivo, que capacitam os nossos membros para participar em torneios nacionais ou internacionais de debate (e são, invariavelmente, muito divertidas), e sessões de discussão em modelo livre, em que se procura sobretudo tomar partido da diversidade de disciplinas na sala para ter um debate de qualidade e analisar um problema mais a fundo.

Para além disso, entendemos que também devemos levar o debate ao exterior e, para tal, organizamos conferências e workshops abertos ao público sobre vários temas.

– Qual a motivação dos alunos para prosseguir com esta atividade?

É comum ver alunos chegar à NOVA Debate sem conseguir preencher mais do que 3 minutos de discurso argumentativo. Foi o que me aconteceu no meu primeiro debate. Mas todos os que persistem evoluem a olhos vistos, e ao fim de algum tempo estão a debater a um nível que lhes parecia impossível quando se estrearam. Numa altura em que o mercado de trabalho valoriza “soft skills” como a apresentação de ideias e capacidade de crítica construtiva, estes são elementos que fazem falta numa educação universitária.

O que acontece é que ao longo dos debates e da formação interna vão aprendendo a estruturar o raciocínio e a apresentá-lo oralmente. Acredito que na maioria dos casos a aprendizagem não é meramente superficial – ou seja, no domínio da oratória – mas mais profunda do que isso. Quem debate regularmente pensa de maneira diferente porque se habitua a abordar os problemas a partir de várias perspetivas e a questionar os pressupostos daquilo que é apresentado como certo. Quando nos reunimos para discutir um tema e a regra número um é a honestidade intelectual, toda a gente sai da sala com alguma ideia nova na cabeça.

– Pode-nos realizar um balanço do último semestre de atividade?

Para além do Lisbon Open 2015, um grande torneio de debate internacional co-organizado com a Sociedade de Debates Académicos de Lisboa, e de algumas sessões de debate abertas ao público, incluindo os debates sob as moções “Esta Casa acredita que não vivemos numa democracia” e “Esta Casa proibiria a UBER de operar em Portugal”, a NOVA Debate promoveu várias conferências temáticas este semestre. No dia 14 de outubro, na FCSH, teve lugar a conferência “A Crise dos Refugiados na União Europeia”, contando com os oradores convidados Ana Santos Pinto, Teresa Tito de Morais e Pedro Caldeira Rodrigues. No dia 21 de outubro, esteve-se “à conversa com Adriano Moreira” sobre a estratégia da União Europeia, na Nova School of Business and Economics. Já no dia 9 de novembro discutiu-se a corrupção em Portugal com a conferência “Corrupção: na Economia, na Sociedade em Democracia”, na Faculdade de Direito, com João Paulo Batalha, António João Maia e Ary Ferreira da Cunha.

– Qual a agenda de eventos para os próximos meses?

Das iniciativas futuras destaca-se sobretudo “à conversa com Ricardo Araújo Pereira”, sobre o lugar do humor numa democracia. É no dia 9 de dezembro, às 18h00, na SBE (Faculdade de Economia, em Campolide). A entrada é sujeita a inscrição, que estará acessível através do evento do Facebook  e site.

Teremos também um debate em modelo competitivo aberto ao público no dia 10 de dezembro, às 18h00, na Nova SBE (Faculdade de Economia, em Campolide), sala 118. A moção a debater transportar-nos-á para “uma galáxia muito muito distante”: “Esta Casa proibiria o uso da força”. Os fãs impacientes pelo novo episódio da saga Star Wars estão convidados a assistir, com possibilidade de inscrição para debater ou adjudicar (ou seja, julgar o debate e atribuir posições às equipas).

Tomé Ribeiro Gomes, Presidente do NOVA Debate

João Tomé

Inscrições:

As inscrições para membro da NOVA Debate estão abertas a alunos e pessoas com quaisquer outros vínculos à NOVA. Os interessados devem preencher o formulário presente no link http://tinyurl.com/phk5fcj, também acessível através da página de Facebook do NOVA Debate (tab “Vem debater!”) e do site https://novadebate.wordpress.com/

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Arte Urbana na Quinta do Mocho

No âmbito da cadeira de Comunicação e Ciências Sociais, lecionada pela Professora Ana Jorge, da licenciatura em Ciências da Comunicação, os alunos do 1.º ano foram em visita de estudo à Quinta do Mocho e a sua Galeria de Arte Pública, leiam aqui o texto e as fotografias dessa visita:

“Um grupo de alunos da FCSH/NOVA foi conhecer a Galeria de Arte Pública existente na Quinta do Mocho, no passado dia 31 de outubro. O bairro que, até recentemente, era dado como problemático, tem-se renovado nos últimos tempos através da street art, numa tentativa de melhorar a imagem da zona.

A 20 de junho de 2013 dava início na Quinta do Mocho o festival Bairro i o mundo. Este festival prometia dar uma nova vida a um bairro que sofria de vários preconceitos, entre os quais de não ser um espaço seguro. O festival prolongar-se-ia até 23 de junho e incluiria atividades culturais como concertos, fotografia ou gastronomia, para além da pintura urbana. E volvidos apenas quatro dias, mais de 100 artistas tinham dado novas cores às fachadas dos prédios, ou empenas, promovendo uma mudança muito mais que estética. Foi o começo da requalificação de um bairro a nível social, cultural e artístico.

Atualmente, mais de 40 fachadas já se encontram pintadas nesta urbanização em Sacavém, concelho de Loures. As paredes ganharam vida com as diferentes técnicas utilizadas pelos artistas: desde o próprio graffiti ao stencil, passando por colagens ou até mesmo a escultura, que foi usada pelo artista Bordalo II para representar uma garça, considerada por muitos a obra mais icónica do bairro, utilizando materiais reciclados, peças de carros e de contentores.

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Apesar das diferentes técnicas empreendidas, existe em cada pintura um objetivo comum: dar voz ao bairro e refletir as realidades que, de uma maneira ou de outra, têm assombrado o passado da Quinta. Nomen, um autor que pintou o muro do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, teve isso em conta de forma particular: a sua pintura demonstra como os moradores do bairro frequentemente omitiam a sua morada quando à procura de emprego, por exemplo; eram eles mesmos somente naquele bairro, colocando uma ‘máscara’ em qualquer outro lugar.

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Outras obras retratam mochos, símbolo icónico do bairro, a diversidade de nacionalidades na zona ou procuram dar visibilidade a problemas como o abandono animal.

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O tributo a Bob Marley feito por Odeith é particularmente curioso: a imagem tem relevante ressonância internacional, e a pintura pode ser observada de um avião que aterre no aeroporto de Lisboa.

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MfwQvCERx_5Jm_uo6_DtemShmZJJtG0-k4ouByUjq_E A Galeria de Arte Pública na Quinta do Mocho pode ser percorrida com visita guiada (gratuita) todos os últimos sábados de cada mês, com guias da comunidade e organizadas pela Câmara Municipal de Loures.

CAM00322Texto: Samuel Soares

Fotografias: Diogo Sousa, Patrícia Gomes, Ana Rosário

 

Publicado em Docentes, Iniciativas dos alunos, Reportagens

Exposição fotográfica “Construindo um Olhar Português”

Simone Bilhalva inaugura, dia 21 de julho às 16h no primeiro piso do Edifício ID, a exposição “Construindo um Olhar Português –  Portugal e Brasil: intimidade cultural”, a primeira mostra fotográfica da Série Etnias. O objetivo da autora, de nacionalidade brasileira, é o de “inspirar o público para uma certa intimidade cultural” entre Portugal e o Brasil, “dois países profundamente interligados e irmãos”, através de imagens que “tocam as belezas, a vibração, a religiosidade, a tradição e a energia da cultura portuguesa pela perceção de uma fotografa brasileira”.

Simone Bilhalva é uma produtora de Rio Grande do Sul que percorre o mundo em busca de ligações culturais que transforma em imagem.

Informações adicionais no blogue de Simone Bilhalva

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Cidade e Etnografia: 20 anos de pesquisas sobre Lisboa

Na sequência do ciclo “Cidade e Etnografia: 20 anos de pesquisas sobre Lisboa”, promovido pelo CRIA e pelo Departamento de Antropologia da FCSH/NOVA, José Mapril realizou três questões a alguns participantes que aqui deixamos publicadas.

As respostas são de Maria Assunção Gato (DINAMIA’CET-IUL), Rita Ávila Cachado (CIES-IUL), Ricardo Campos (CEMRI-Universidade Aberta) e Sandra Marques Pereira, (DINAMIA’CET-IUL).

  • Quais têm sido os seus principais interesses e contextos de pesquisa em Lisboa? Fale-nos um pouco do seu percurso de investigação e como se interessou por este contexto.

Maria Assunção Gato (DINAMIA’CET-IUL): Os meus principais contextos de pesquisa em Lisboa têm vindo a centrar-se sobre o consumo e processos de valorização do espaço urbano, tendo como foco privilegiado de análise as novas classes médias e respetivos modos de habitar. Este interesse pela cidade e pelas interações que se desenvolvem entre os indivíduos e o seu espaço já remonta aos tempos da licenciatura, concluída em 1994, com uma monografia intitulada “Pedreira dos Húngaros: representações de um espaço étnico”. Tratou-se de um estudo etnográfico desenvolvido no campo disciplinar da antropologia do espaço sobre o bairro da Pedreira dos Húngaros, um dos maiores bairros de barracas (agora designados de “construção informal”) existentes na grande Lisboa e que se situava no concelho de Oeiras. Uma vez que a maioria da população residente nesse bairro era constituída por imigrantes cabo-verdianos, o meu estudo explorava o confronto entre as referências espaciais e identitárias trazidas do país de origem com as adquiridas no país de acolhimento, tanto ao nível da utilização e vivência do espaço público como do espaço doméstico. Dado que, na altura, o processo de realojamento deste bairro estava a ser iniciado, um dos grandes objetivos do estudo era, precisamente, o de fornecer informação útil à entidade camarária para auxiliar esse processo, através da compreensão das lógicas de produção espacial e de relação social desta população, não descurando também as suas expectativas face a esse realojamento.

O interesse em aprofundar os meus conhecimentos sobre o espaço, sua produção e vivência por diferentes grupos sociais conduziu-me ao mestrado em Geografia e Planeamento Regional – Gestão do Território, que concluí em 1997 com uma tese intitulada “Expo’98, Uma Ocasião para Construir Cidade”. Substancialmente diferente do antecedente, este estudo centrava-se num projeto urbanístico que, na altura ainda estava em plano. Como tal, desenvolvi nele uma componente prospetiva de cenários relativos ao futuro da cidade de Lisboa e da sua zona oriental no pós-Expo’98.

Quando em 2004 decidi voltar à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas para fazer o doutoramento, opto novamente pela antropologia para contar com a orientação da professora Filomena Silvano, quer devido à sua ligação pioneira à antropologia do espaço em Portugal e mais tarde, às temáticas do consumo e cultura material, quer devido ao meu interesse em estudar o espaço urbano à luz dessas mesmas temáticas, através de um diálogo interdisciplinar. Escolho então o Parque das Nações para caso de estudo, uma vez que aquele novo pedaço de cidade que eu já conhecia bem em plano estava a ser construído a bom ritmo e iria permitir a confrontação real com uma série de problematizações que foram acompanhando a produção daquele território. Atualmente, o Parque das Nações continua a integrar os meus projetos de investigação sobre a cidade de Lisboa, mas já não em regime de exclusividade. Existem outros espaços predominantemente residenciais cujas características sociais, culturais, económicas e urbanísticas despertam igualmente o meu interesse.

Rita Ávila Cachado (CIES-IUL): A realização de etnografia na cidade veio por acaso e não por escolha. Quando terminei a licenciatura só queria fazer etnografia, não me interessava onde. Um estágio profissional encaminhou-me para o Bairro Quinta da Vitória, um bairro degradado de construção informal às portas da cidade, junto a uma urbanização que, juntamente com o bairro, me chamou a atenção – a Urbanização da Portela, com dezenas de grandes prédios listados a beije e branco, com um centro comercial onde as vidas das pessoas daquela freguesia afluíam. Não havia mais lojas, só habitação e um centro comercial. E a Quinta da Vitória, a destoar com a sua população provinda de quase todas as ex-colónias, mas com maioria de população Hindu-Gujarati, emigrada de Moçambique, com grande visibilidade urbana local por via dos seus rituais e indumentárias.

Ao trabalhar com os Hindus da Portela, com aquele contexto urbano complexo, as questões urbanas estavam sempre em cima da mesa. Por isso a minha forma de ler a cidade tem um olhar enviesado pelo lado oriental, perto do aeroporto, e está perto das questões de crescimento urbano, segregação espacial e a habitação em particular. As várias populações da cidade fazem parte também da forma como tento ler a cidade. Num estado pós-colonial como é o português, que iniciou mais tarde do que outros contextos europeus as reflexões sobre os efeitos da descolonização, a sua capital alberga um espaço ótimo para discutir migrações, transnacionalidade, pluralidade religiosa, questões urbanas em geral e da habitação em particular.

Ricardo Campos (CEMRI-Universidade Aberta): Desenvolvo pesquisa em Lisboa há mais de 15 anos, principalmente na área dos estudos juvenis. Participei em diversas equipas de investigação que desenvolveram projetos financiados pela FCT que se debruçaram sobre diversas culturas (e subculturas) juvenis, nomeadamente ligadas ao movimento okupa, ao movimento hip-hop ou à street art. Nos últimos anos, no decurso do meu projeto de doutoramento, debrucei-me sobre o graffiti urbano, investigando este território de produção cultural, os seus protagonistas, as suas práticas e representações. Este é um universo marcadamente urbano e global, na medida em que apesar de ter emergido num contexto citadino específico (Filadélfia e Nova Iorque) há mais de 4 décadas, depressa assumiu uma vocação planetária, tendo-se rapidamente disseminado por diversos continentes.

O meu interesse por este objeto de estudo deve-se basicamente a duas razões. Por um lado, pelo peso crescente que esta forma de comunicação foi assumindo na paisagem lisboeta, tornando-se algo característico da cultura visual urbana desta cidade. Por outro lado, há um lado obscuro, enigmático e incompreendido do graffiti que despertava a minha curiosidade e me impelia a procurar respostas para uma série de questões. A este interesse pessoal acresce o facto de este ser um objeto praticamente ignorado por parte da academia, pelo que um estudo sobre este contexto se tornava algo pertinente.

Sandra Marques Pereira (DINAMIA’CET-IUL): Os meus principais interesses de pesquisa têm sido: modos de habitar, arquitetura enquanto produto social, trajetórias residenciais, processos de recomposição e ocupação social relacionando-os com a evolução da morfologia dos espaços urbanos e metropolitanos.

Desde a licenciatura que o meu interesse se focou na habitação e na cidade de Lisboa. O facto de ter sempre vivido na cidade, de gostar muito da urbanidade, por um lado, e por outro, o contacto duradouro e muito frequente com pessoas da área de arquitetura, terão ajudado a cimentar o meu interesse sobre o “ambiente construído”, nomeadamente: a arquitetura residencial, explorando os seus aspetos essencialmente sociológicos, mais do que os autorais/artísticos.

  • Quais as principais ideias que retira das suas investigações?

Maria Assunção Gato: Uma das ideias que retiro das minhas investigações é a importância do fator Tempo para compreender o fator Espaço. Com isto quero dizer não só que a cidade é uma realidade orgânica e dinâmica, mas também que existem contextos temporais indissociáveis das leituras que, a cada momento, se vão fazendo da cidade. Como tal, é importante atender ao cruzamento das escalas temporais e das escalas espaciais para uma melhor compreensão dos processos espaciais. É de sublinhar também a importância de recorrer a uma perspetiva interdisciplinar para analisar a interação que os grupos sociais desenvolvem com os respetivos espaços e que demonstram bem como os diferentes espaços da cidade tanto funcionam como palcos de ação, como são eles próprios agentes atuantes junto dos grupos sociais que neles se estabelecem. No seguimento desta ideia as minhas investigações têm revelado um protagonismo crescente dos espaços urbanos em termos das categorizações e representações sociais de indivíduos e grupos, com repercussões quer ao nível das trajetórias e escolhas residenciais, quer ao nível das recomposições sociais em diferentes espaços da cidade de Lisboa.

Rita Ávila Cachado: Trabalhei sobretudo em torno dos debates sobre habitação social, uma vez que a pesquisa central para o doutoramento foi sobre um processo de realojamento, no âmbito da maior política de habitação depois do 25 de abril, o Programa Especial de Realojamento. Mas trabalhei com uma população específica, os Hindus-Gujarati em Lisboa. Nesse sentido, aproximei-me de uma realidade inesperada que cruzou habitação e transnacionalidade. Não era uma coisa nova; Susana Trovão já havia trabalhado estas temáticas, nem era uma coisa velha: os Hindus na Área Metropolitana de Lisboa têm sido o enfoque de vários estudos, donde se destaca, em termos de abordagem sobre a religião, tradição e género, o trabalho de Inês Lourenço.

Uma das ideias que retiro desse trabalho em torno da habitação social é que os Hindus da Portela baralharam o “esquema” aos técnicos dos serviços que acompanhavam o processo de realojamento e, nesse sentido, contribuíram para olhar de uma forma diferente para as políticas de habitação social. Explicando melhor, apesar das evidentes carências socioeconómicas da população em causa, as famílias hindus viajavam muito mais do que outras populações carenciadas, e faziam-no sobretudo para cumprir rituais nos outros pólos da diáspora, mas também para procurar emprego e averiguar as possibilidades de migrar de novo, desta feita para o Reino Unido. Esta situação complexifica o debate institucional de quem afinal tem direito ao realojamento. Dessa forma, estamos perante uma população que contribui para pôr em causa abordagens da pobreza que promovem a própria cultura da pobreza.

O direito à habitação não deve desconfiar do que fazem os utentes ao seu dinheiro. Ao mesmo tempo, uma política de realojamento com um recenseamento geral feito à pressa, não permite perceber a realidade interna dos bairros visados. As minhas pesquisas ensinaram-me que, se por um lado parecia estar a estudar um tema que chorava sobre o leite derramado (estava a estudar um bairro que ia abaixo; estava a chegar à conclusão que se deveriam ter feito estudos aprofundados nos bairros de barracas antes do realojamento), por outro lado percebi que olhar para uma temática como a habitação social é olhar para um conjunto de outras temáticas sociais e culturais. Não é por acaso que a habitação, como a saúde e a educação, promove tanta discussão.

Aprendi ainda que aprendi muito pouco, porque este tema não tem fim, e porque as cidades, se no passado remetiam para estudos fragmentados, passaram a implicar fractais, indo cada vez mais ao pormenor e ao mesmo tempo ter melhores noções do todo.

Ricardo Campos: A principal ideia que retiro das minhas investigações é a de que a cidade é um território onde a inventividade e criatividade são imensas, fruto de uma série de circunstâncias, das quais destacaria a multiplicidade de grupos e comunidades com características muitos distintas, com estilos de vida, consumos e práticas culturais variadas, habitando um mesmo espaço geográfico. Esta multiplicidade e “polifonia simbólica” gera situações de fusão e hibridismo cultural, de onde surgem propostas estéticas, simbólicas e culturais inovadoras. Isto é muito evidente ao nível da juventude e das suas práticas culturais. E o mais surpreendente (ou talvez não) é o facto de grande parte deste dinamismo e inventividade serem provenientes dos lugares (sociais e territoriais) mais inesperados. A “periferia” (territorial e simbólica) é, deste ponto de vista, emblemática. É, por vezes, nos subúrbios de Lisboa, em comunidades muitos jovens, vivendo por vezes em condições de vida difíceis, que encontramos os casos mais curiosos de empreendedorismo cultural, de fusão e criatividade estética, ao nível da música, da dança, das artes visuais, etc. É fora dos lugares sagrados da cultura e da arte que novos territórios estéticos são experimentados. É o caso, por exemplo do graffiti e da arte urbana que, cada vez mais, são reconhecidos pelo mundo da arte e pelos poderes públicos como movimentos estéticos inovadores que transformam a forma como concebemos e desfrutamos  das obras artísticas.

Sandra Marques Pereira:

  1. Que não é possível entender a realidade sem nos colocarmos na cabeça dos outros, o que varia com o contexto social, geracional, histórico, etc.
  2. Que a Sociologia Urbana deveria investir mais na análise do espaço e não “apenas” na análise dos processos sociais que ocorrem no espaço.

  • E o que é que essas ideias nos dizem acerca da multiplicidade de discursos e perspetivas sobre este contexto e sobre o direito à cidade?

Maria Assunção Gato: Entendo que a multiplicidade de discursos e perspetivas sobre as cidades em geral e, sobre Lisboa em particular, não só é útil e desejável, como decorre naturalmente do facto das cidades serem realidades dinâmicas, complexas e que refletem a sociedade em todos os domínios. Como tal, não é de estranhar que uma sociedade capitalista, crescentemente liberal e desigual esteja a produzir uma cidade cada vez mais fragmentada, mercadorizável e categorizada, com repercussões notórias em termos daquilo que será o direito a uma cidade cada vez menos democrática, inclusiva e acessível a todos. Não será bem este o tipo de cidade que desejamos, mas não deixa de ser esta a sociedade de que temos sido cúmplices.

Rita Ávila Cachado: No caso de um estudo sobre um processo de realojamento, estamos em cima da questão do direito à cidade. Porque o direito à habitação é direito à cidade. Não há cidade sem habitação. E a habitação social permite-nos ler melhor como é chegar à cidade. Literal e metaforicamente. É que os realojamentos feitos no âmbito do Programa Especial de Realojamento foram, regra geral (sobretudo os dos municípios vizinhos a Lisboa), realojamentos feitos mais longe dos centros urbanos do que os bairros degradados onde as pessoas viviam.

Nos bairros degradados onde as pessoas viviam, estavam perto dos seus empregos, tinham melhores ligações de transportes urbanos. E porquê? Porque as suas casas foram construídas nos anos 1960, 1970 e 1980 em zonas de certa forma limítrofes à capital, mas perto o suficiente dos centros urbanos – a maior parte dos bairros foi construída em cima da linha da Estrada Militar. Essa linha e para lá dela viu crescer urbanizações que encheram os concelhos vizinhos de Lisboa. E os bairros degradados ficaram mais visíveis e mais perto da cidade-centro. Isto constituiu um problema que já não podia ser negado no início dos anos 1990 e por isso (entre outras razões políticas) promoveu-se o PER. Para “acabar com as barracas” e para, na verdade, libertar terrenos para o mercado imobiliário que entretanto se tinham valorizado muito.

Foi assim que as suas populações foram realojadas nos terrenos camarários disponíveis, normalmente mais longe dos centros urbanos, guetizando, se quisermos, milhares de pessoas. O problema social permanece, e o problema habitacional também, porque a habitação social é feita com os materiais mais acessíveis. Melhorou a infraestrutura de esgotos e o acesso por carro. A segregação acentuou-se: há menos transportes públicos, as pessoas estão mais longe dos centros e das antigas sociabilidades. O direito à cidade foi alienado para muita gente.

Ricardo Campos: Quer nos casos das vertentes musicais e performativas do hip-hop, quer no caso do graffiti e da street art, que conheço bem, o que encontramos são formas criativas de apropriação da cidade e dos seus diferentes lugares. Seja através dos b-boys que procuram locais apropriados à execução dos movimentos de dança, convertendo certos lugares em espaços de encontro coletivo ritualizado, seja através dos graffiti writers, que exploram o potencial da cidade e do seu edificado para comunicarem através de tags, throw-ups ou masterpieces. No caso destes últimos a cidade ganha novos contornos e sentidos, através de uma reconfiguração dos seus objectos. Sinais de trânsito, carruagens de metro, paredes, etc. convertem-se em telas coloridas. A ilegalidade do acto não impede que muitos jovens se dediquem a este jogo arriscado, desta forma afirmando o seu direito à cidade, criando lugares com sentido coletivo. A nossa cidade é polifónica, para utilizar a expressão de Massimo Canevacci. Dessa polifonia fazem parte um conjunto de expressões que se situam de forma desigual perante as convenções e a normatividade dominante. Essa essa multiplicidade que torna a cidade um território tão desafiante e rico do ponto de vista cultural e estético.

Sandra Marques Pereira: Que a cidade desejada não é una, mas múltiplas. Do mesmo modo que há um dever geral de reforçar a democracia, o mesmo se passa com o conceito de direito à cidade. Em todo o caso, julgo que nesta matéria há muito que fazer, não apenas por parte dos poderes públicos, mas também das “bases”: não vejo grande empenhamento por parte da generalidade dos cidadãos em participar na vida da cidade. Mas julgo que o incremento dos níveis de educação da população em geral é o maior contributo para que o direito à cidade seja “consciencializado e praticado”.

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