Membro integrado do Instituto de Arqueologia e Paleociências, unidade de investigação da FCSH/NOVA, arrecadou galardão para os melhores livros sobre arte e património.

O prémio foi atribuído pela Academia Nacional de Belas Artes no final do mês passado à obra ‘Ourivesaria Portuguesa de Aparato: séculos XV e XVI’, um livro que procura divulgar esta importante vertente do património artístico português, muito conhecida internacionalmente mas ainda de pouca notoriedade no nosso país.
A presente investigação inclui as mais importantes peças existentes em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente as constantes em museus nacionais, como o Museu Nacional de Arte Antiga ou o Palácio Nacional da Ajuda e ainda as incluídas em diversas colecções privadas portuguesas e museus estrangeiros.
Este tipo de arte é constituída por obras em prata, na sua quase totalidade salvas, decoradas com os mais variados motivos, desde a História Clássica ao Antigo Testamento, mas também com especial incidência no imaginário fantástico medieval, sendo testemunhas únicas da cultura portuguesa na época dos Descobrimentos.
Veja aqui a breve entrevista concedida pelo premiado:
O que é que representa este prémio para a prossecução do seu trabalho de investigação?
Sem dúvida que o prémio Dr. José de Figueiredo é atribuído especificamente ao meu último livro. Contudo, não posso deixar de o entender como o reconhecimento do meu trabalho, que desenvolvo faz mais de 25 anos, em prol do estudo da arte dos ourives portugueses, acompanhando a minha carreira profissional nos museus, que se desenvolveu antes de vir para a direcção do Museu Calouste Gulbenkian, do Museu Nacional de Arte Antiga ao Museu de São Roque.
Não deixo de registar com agrado que tendo sido redigido a partir de uma investigação original, procurei que a obra fosse o mais acessível possível a um público não especializado. A originalidade do trabalho não terá passado despercebida aos membros do júri.
Julga que este tipo de distinção pode ajudar a um maior conhecimento da Ourivesaria Portuguesa de Aparato por parte do público em geral?
O reconhecimento da Academia Nacional de Belas-Artes irá servir de incentivo ao público interessado por uma área do nosso património menos explorada. Não podemos também ignorar o período em que nos encontramos. Um pouco como escrevi na introdução do livro, “Numa época onde a defesa da nossa identidade como nação surge como uma prioridade, e por vezes esquecida, esta obra procura convidar o leitor a conhecer melhor e a usufruir de uma das nossas manifestações artísticas mais fascinantes. Numa época onde o momento imediato assumiu proporções ameaçadoras dirijamos o nosso olhar para obras cuja fruição intemporal é uma fonte de renovado prazer e espaço de serenidade.”
O nosso património é sem dúvida uma “área” de serenidade e reflexão, para não dizer de resistência face ao bombardeio constante de notícias, sempre mais terríveis, sobre a situação económica e social do país.
Segundo me informou o editor, Scribe, um livro premiado é sempre um livro mais vendido. Isso também é importante para continuarem a produzir mais obras.