Festa da Arqueologia 2016

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Decorreu no passado fim-de-semana de 4 e 5 de Junho no Museu Arqueológico do Carmo a 4.ª edição da Festa da Arqueologia, um evento promovido pela Associação dos Arqueólogos Portugueses para a divulgação da atividade arqueológica em Portugal. Nesta edição … Continuar a ler

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João Costa: os jovens de hoje são “a geração mais qualificada de sempre”

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Em entrevista à NOVA Magazine, João Costa – ex-diretor da FCSH/NOVA e atual secretário de Estado da Educação – refere-se à educação portuguesa como uma “educação de sucesso”, apesar de ainda apresentar dados preocupantes.

Licenciado e Doutorado em Linguística, João Costa assumiu o cargo de secretário de Estado da Educação em novembro de 2015, depois de ter estado dois anos na direção da FCSH/NOVA. Defende que o principal foco na promoção de sucesso escolar e melhoria das aprendizagens deve ser a sala de aula, apoiando a generalização da autonomia na gestão do currículo, no qual todas as disciplinas devem ser estruturantes.

Quando surgiu o interesse pelas Humanidades e pela Linguística?

Surgiu cedo, não pela Linguística em particular, mas pelas Humanidades… Desde que me lembro de ser gente. A Linguística foi uma escolha não muito consciente: eu gostava de gramática, de línguas clássicas e quando estava a acabar o 12.º ano apareceu este curso novo – uma licenciatura em Linguística, que eu não sabia o que era. Fui àFaculdade de Letras da Universidade de Lisboa ver o currículo do curso e achei interessante. Estava muito na dúvida sobre que curso seguir, era esse ou ser professor de primeiro ciclo, e a minha escolha foi com uma moeda ao ar – atirei a moeda e saiu a Linguística. Foi muito consciente [risos].

Como foi o seu percurso até chegar à direção da FCSH/NOVA?

Quando acabei o curso estive na Holanda como estudante de Erasmus – fui um dos primeiros estudantes Erasmus do país, e fiquei lá a fazer o Doutoramento na Universidade de Leiden. Pelo meio, estive nos Estados Unidos durante um ano no MIT e, após acabar o doutoramento na Holanda, vim para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa dar aulas durante sensivelmente um ano e meio. Entretanto, surgiu a oportunidade de ir para a NOVA, como professor auxiliar, e por lá fiquei. Trabalhei no departamento [de Linguística], depois integrei a direção com o professor João Sàágua – primeiro como subdiretor adjunto, em seguida como subdiretor e finalmente assumi a direção da faculdade [em 2013].

Quais considera terem sido os maiores desafios e os maiores feitos enquanto diretor desta faculdade?

Eu fui diretor num período em que ocorreram enormes cortes financeiros, restrições financeiras imensas. Tive de tomar opções muito difíceis que nunca gostaria de ter tomado (redução de contratos, redução de horas, etc.)… Foi um período muito difícil. Considero um feito ter conseguido que a faculdade se mantivesse unida, coesa e colaborante – não deixei nenhum inimigo na faculdade apesar de a ter estado a dirigir no pior período possível. Portanto, tendo em conta o período em que estive à frente, em que tivemos cortes de cerca de um terço do orçamento, este espírito de equipa que eu acho que consegui manter vivo na faculdade foi uma vitória.

O que acha da passagem da Universidade Nova de Lisboa a Fundação?

Tenho acompanhado a discussão e, não sendo um fundamentalista nem de uma posição nem de outra, acho que a passagem a Fundação pode trazer ganhos na flexibilidade na gestão. Sempre que se ganha em autonomia ganha-se em responsabilidade. O momento que se seguirá de discussão de estatutos da fundação tem de ser, sobretudo, muito acompanhado e muito acautelado para que seja uma passagem de facto produtiva.

Quando lhe foi proposto este novo cargo, pensou duas vezes antes de o aceitar? O que o guiou nessa decisão?

Pensei três, quatro, cinco vezes… [risos]Não foram só duas, não tive muito tempo para ponderar, mas ponderei bastante. Guiou-me o entusiasmo por entrar numa solução do Governo em que me revia, com uma equipa que merecia a minha confiança, mas também o espírito de serviço público numa causa que me apaixona bastante que é a educação.

Qual é a sua opinião sobre o estado da educação em Portugal?

É uma opinião boa, nós temos 42 anos de escola pública democrática e hoje muitos dizem que olham para os jovens como a geração mais qualificada de sempre. Sendo 80% dessa população mais qualificada de sempre fruto da escola pública, podemos dizer que temos uma educação de sucesso. Contudo, há dados que ainda nos preocupam, por termos taxas de insucesso altíssimas e ainda taxas de abandono escolar precoce de que não nos devemos orgulhar. Existe o desafio de garantir que, caso se fique mais tempo na escola – sendo que a escolaridade obrigatória foi alargada –, as aprendizagens correspondentes sejam melhores. Temos, portanto, uma história que é motivo de orgulho, mas dados que nos devem preocupar imenso e que só devem indicar que temos de continuar a trabalhar mais esta linha.

Que objetivos primordiais visa para a educação em Portugal nesta legislatura enquanto Secretário de Estado?

Temos de ter como foco principal a promoção de sucesso escolar e a melhoria das aprendizagens – este é o foco do programa do Governo. Isto significa devolver confiança às escolas, devolver-lhes algumas condições de trabalho – estamos num período em que a escola pública foi muito maltratada, e é preciso agora repor um contínuo de normalidade que foi interrompida abruptamente. Significa dirigir um olhar aos anos iniciais de ciclo e à qualidade do trabalho que se faz na escola, que implica tomar opções de medidas de apoio à promoção de sucesso. Que currículo é que temos na escola que garanta melhor sucesso? Devemos responder a outra pergunta essencial: estamos a formar para quê? Qual é o perfil de saída dos alunos no final da escolaridade obrigatória?

Todas as medidas de promoção de sucesso que não tenham impacto no que acontece na sala são inúteis. Podemos ter os programas mais bonitos do mundo, mas se não forem devidamente apropriados pela escola não servem. É por isso que dizemos tantas vezes que confiamos nos professores, porque na sala de aula está o professor com a sua turma e é ele que vai ter que apropriar e muitas vezes criar as medidas de sucesso.

O que é que a passada experiência na FCSH/NOVA lhe conferiu para este novo cargo?

A FCSH é uma casa grande, e às vezes complicada, onde aprendi imenso. Eu venho para aqui com experiência de gestão, os diferentes cargos de gestão que ocupei na faculdade ajudam-me no desempenho destas funções. Tenho também experiência profissional na área da educação e da formação de professores, que foi muito desenvolvida na FCSH e que também me dá um conhecimento do sistema educativo que me põe bastante à vontade aqui.

Como se pensa dar maior valorização às artes e às humanidades?

Há várias coisas que têm de ser feitas, a reflexão que estamos a fazer sobre o currículo é uma delas. Passa exatamente por dizer que sabemos que as artes e as humanidades são áreas estruturantes na formação de um indivíduo. Então que papel terão estas áreas na reflexão que estamos a lançar sobre o perfil de saída dos alunos e sobre o currículo que deve ser gerido de uma forma flexível? É uma discussão que é feita com calma, com tempo e com muita participação dos professores, de associações profissionais, de sociedades científicas, que vão ter que nos dar um contributo para isto. Mas há um ponto de partida que consiste no facto de não considerarmos que uma disciplina como a História, por exemplo, não seja estruturante; ou que a Filosofia não seja estruturante. Enquanto os documentos produzidos nos últimos quatro anos referem apenas o Português e a Matemática como disciplinas estruturantes. Ao dizermos que todas as disciplinas que lá estão são estruturantes, caso contrário não estariam lá a fazer nada, já estamos a dar um sinal muito claro de valorização destas áreas. Agora, o trabalho que se vai fazer em torno do currículo será a concretização deste discurso.

Porque não instituir estágios curriculares em todos os cursos, no sentido de preparar os alunos para o mundo do trabalho?

Quando se fala em “mundo do trabalho” temos de pensar nos cursos que têm como vocação específica uma dimensão profissionalizante, que são os cursos profissionais e já têm formação em contexto de trabalho. Portanto, não precisamos de inventar a roda porque ela já está inventada. Aquilo que precisamos de saber, e é um trabalho que estamos a promover com a Secretaria de Estado de Emprego, é se esses cursos dão uma resposta adequada às necessidades setoriais e regionais do mercado de trabalho. Mas já têm formação em contexto profissional.

Que razões guiaram o governo nas recentes alterações relativamente aos exames do ensino básico?

Partem de alguns princípios: em primeiro lugar, percebemos que Portugal estava isolado no contexto dos países com que nos gostamos de comparar na existência destes exames tão cedo, em particular os exames de quarto ano; por outro lado, percebemos que a existência destes exames estava a promover alguns efeitos de distorção sobre as práticas, e havia muitos relatos sobre isto de novo relativamente ao quarto ano – o Português e a Matemática eram trabalhados nos primeiros anos de escolaridade enquanto outras áreas, em particular o Estudo do Meio, estavam a ser deixadas de fora.

Os próprios instrumentos de avaliação interna estavam a ser distorcidos para serem apenas réplicas dos exames, e não tanto trabalhos de grupo, trabalhos de pesquisa, trabalhos criativos, entre outros que promovem o desenvolvimento de competências de uma forma mais ampla. Era, por isso, preciso intervir. Entretanto já tinha caído o exame do quarto ano na Assembleia da República, havia iniciativas parlamentares para que os outros exames também desaparecessem, e o Ministério chamou a si a decisão promovendo estas alterações no mesmo calendário.

Que principais implicações teria a divisão do ensino em dois ciclos de 6 anos?

Não se pode responder a essa pergunta sem ter projetos concretos em cima da mesa. Seja dois vezes seis, quatro vezes três, ou qualquer outra combinatória possível, só se pode avaliar isso perguntando o que se quer em cada um desses ciclos, que disciplinas é que se tem, se é monodocência ou não… No fundo, analisando o que se ganha com isso. Que é importante avaliar e estudar possibilidades – é. Contudo, sem a análise dos seus benefícios estas possibilidades não nos levam a nada.

O que pensa da contínua mudança de programas escolares?

A ideia de que os programas estão sempre a mudar é um mito. A maior parte das disciplinas tem programas que não mudam há 25 anos. Tem havido alterações, o currículo está uma manta de retalhos, mas as alterações são muito mais localizadas do que generalizadas. O programa de Estudo do Meio do primeiro ciclo não muda desde 1991.

Quais são os planos do governo relativamente à Parque Escolar?

Continuar o que tem vindo a ser feito e fazer a gestão. Como sabe, a Parque Escolar foi muito parada nos últimos tempos, sendo neste momento necessário reprogramar e ir periodizando as horas que podem ser feitas no calendário previsto.

Com tudo o que a psicologia já descobriu sobre a aprendizagem e o ensino, após anos e anos de investigação, porque é que os psicólogos não são incluídos na criação das metas curriculares, do programa e dos livros escolares?

Todos os programas e metas que têm vindo a ser desenvolvidos são sempre sujeitos a consulta pública. Isso significa que qualquer setor da sociedade pode participar na sua discussão. Portanto, calculo que muito provavelmente os psicólogos e outras classes profissionais tenham participado na discussão de algumas das orientações que estão em vigor. As escolas têm atualmente serviços de Psicologia e orientação em que os psicólogos participam de uma forma muito ativa na escolha dos caminhos dos alunos. Portanto, há participação dos psicólogos no processo educativo – porém não a um nível que nós gostaríamos, é preciso investir ainda mais aí.

Na definição de orientações curriculares têm-se, tendencialmente, ouvido os professores e os académicos da área, como é tradição em Portugal. Mas também, à exceção dos últimos quatro anos, as Ciências da Educação são muito ouvidas e participam muito na construção dos projetos. E sendo Ciências da Educação uma área que comunica imenso com a Psicologia e com as teorias de aprendizagem, as teorias de desenvolvimento curricular, etc., não podemos dizer que essas áreas têm ficado de fora – muito antes pelo contrário, são interlocutores privilegiados dos diferentes governos. De facto, o governo anterior tinha um preconceito contra as Ciências da Educação, que foram banidas da discussão, mas temos tido várias reuniões e contacto com pessoas dessas áreas nas diferentes decisões que temos vindo a tomar.

Considera que o poder que se planeia atribuir às escolas de definirem 25% do currículo irá, de facto, ao encontro dos melhores interesses dos alunos?

Sim, sem dúvida. Nós sabemos que os países que deram a volta em termos de sucesso escolar são países que investiram em quadros de autonomia de gestão do currículo. Aliás, isso já existe em Portugal nas escolas privadas e nas escolas com contrato de autonomia. Trabalharemos em generalizar essa possibilidade, esse promotor de sucesso, a todas as escolas. É um trabalho que terá de ser acompanhado, requer formação, requer capacitação das escolas para o fazer, mas sem dúvida que será melhor. Repare: se estivermos numa escola em que todos temos imensas dificuldades em Matemática e não em Português, provavelmente precisamos que haja algum tempo do currículo que seja dedicado a apoiar-nos mais em Matemática do que em Português. Caso contrário, estamos a aplicar a mesma chapa independentemente das necessidades específicas de cada contexto.

O que pode dizer relativamente às mudanças no ensino privado financiado pelo Estado?

O que está a ser feito é uma gestão de rede. Se tiver um filho e for inscrevê-lo na escola, há vários fatores que influenciam a possibilidade de inscrição, sendo um deles a área de residência. Se não houver crianças naquela área, como tem acontecido infelizmente em muitas zonas do país, não abrem as turmas. A única coisa que se está a fazer é aplicar essa regra não apenas às escolas públicas, mas também às escolas que são financiadas com dinheiro público. Se há uma escola que pretende abrir uma turma vai-se ver se há crianças da área de residência.

Tendo em conta a completude do seu currículo, que conselhos daria relativamente à gestão do tempo?

Eu sou uma pessoa má para isso, porque sou daquelas que só dormem quatro horas e isso não é saudável apesar de dar mais tempo [risos]. Eu faço listas de coisas que tenho para fazer. Organizo-me muito em função de metas que estabeleço, que tenho de cumprir nas minhas listas. E rentabilizo o tempo: se estou numa viagem de comboio vou a trabalhar, vou a ler qualquer coisa… Portanto é uma questão de rentabilização do tempo e, sobretudo, nãostressar – não stresso com nada, é muito difícil ver-me nervoso seja com o que for, porque levo a vida com boa disposição e isso ajuda a gerir o tempo.

Texto originalmente publicado na Nova Magazine

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#Livros: uma carta de amor à Síndrome de Down

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“O Meu Irmão”, livro que retrata a relação de dois irmãos, um deles com Síndrome de Down, é o primeiro romance de Afonso Reis Cabral, alumnus de Estudos Portugueses e Lusófonos da FCSH/NOVA.

Estamos habituados a tratar a deficiência com o mesmo cuidado com que caminhamos num pavimento com pedaços de vidro. Examinando bem por onde vamos antes de avançarmos, com o peso do medo nos nossos ombros. Afonso Reis Cabral poderia ter sucumbido ao medo de ofender quando se preparou para contar a história de dois irmãos, um professor universitário divorciado – o narrador – e Miguel, de 40 anos, com Síndrome de Down, que ficou ao cargo do primeiro após a morte dos pais. No entanto, a escrita madura e sólida, que humaniza o tema sem se comprometer com o politicamente correto, arrecadou o Prémio Leya 2014 por unanimidade do júri.

A ação começa no Tojal, o refúgio de infância dos protagonistas, onde passam uns dias para recuperar do rebuliço da cidade. No fundo, o meio rural é a quietude que precisam para resgatar a sua relação. Percebem, rapidamente, que esta vai ser perturbada pela tacanhez do casal de camponeses Olinda e Aníbal e do filho, Quim. Esta família, a única que habita a aldeia, é o ponto de partida para um retrato vivo e impiedoso do interior de Portugal, que reflete a solidão e isolamento próprios do abandono rural.

O narrador salta a linha do tempo, percorrendo-a desde a infância à vida adulta dos irmãos. A ordem inversa dos acontecimentos poderia confundir a leitura, mas a verdade é que permite entender melhor o presente. Acompanhamos Miguel desde criança e assistimos às batalhas que tem que travar até nas ações que parecem mais triviais, como aprender a desenhar. As suas dificuldades são quase palpáveis, mas não nos levam a sentir pena; em lugar disso, abrimos os olhos para a diferença de ritmo que a doença exige e solidarizamo-nos com a frustração pontual do narrador.

O verdadeiro adensar do enredo deve-se a Luciana, a deficiente por quem Miguel se apaixona. Este é um amor inocente, que prova que as emoções são, acima de tudo, transversais. O narrador encara Luciana como uma inimiga do bem-estar entre os irmãos, desenvolvendo uma obsessão pouco saudável em boicotar a relação que roça a crueldade.

Este é um livro que se eleva pelas emoções reais que transmite, tratando a doença sem sentimentalismos fáceis. O narrador não se poupa a sentir a angústia e a fúria que advêm da sua relação com Miguel e da crescente noção de que, sendo irmãos, nunca poderão ter a naturalidade que esse laço implica. A linguagem é nua e crua, pois as coisas são chamadas pelos nomes, quer seja na descrição comportamental de Miguel quer nas afirmações acutilantes do narrador em acessos de raiva.

Se é verdade que o narrador é brusco em determinados momentos, consegue redimir-se no esforço que faz para proteger Miguel dos males do mundo e de todos os que parecem alérgicos à diferença. Os momentos mais parados passam para segundo plano, não só pela reviravolta final quase próprio do género thriller, mas, sobretudo, pela vulnerabilidade da reflexão poética que intercala a prosa principal. Em última instância, esta é uma leitura que deixa a sensibilidade de parte, mas que espelha o amor acrescido à condição tratada.

Texto originalmente publicado na Nova Magazine

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Título: O Meu Irmão

Autor: Afonso Reis Cabral

Editora: Leya

Edição: 11/2014

ISBN: 9789896603441

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A democracia em tempos de crise – o caso polaco

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Se os restantes países europeus seguirem o exemplo polaco, a democracia pode estar ameaçada. A afirmação pertence a Marcin Polakowski, convidado da aula aberta sobre democracia e direitos humanos em tempo de crise, promovida a 10 de Maio, no âmbito da unidade curricular de Teoria Política da FCSH/NOVA.

“Estamos atualmente num momento de tensões sociais”, afirmou Marcin Polakowski, docente da Universidade Nicolaus Copernicus, em Toru?, Polónia, acerca da atual situação social nesse país, onde a democracia pode estar em perigo. O docente fez um balanço dos acontecimentos políticos dos últimos anos, descrevendo-os como o “reflexo da realidade social”.

“Houve o crescimento do capitalismo, provocando o aumento do fosso entre os mais ricos e os mais pobres. Ao mesmo tempo, havia medo das ideologias comunistas e a recusa de governos ditatoriais”, referiu Polakowski, fazendo uma retrospetiva da situação política da Polónia depois da II Guerra Mundial.  Com a implementação de uma democracia forte e de um sistema de mercado misto, onde a regulação económica é feita por privados e também pelo Estado, a Polónia cresceu e solidificou a sua situação política, económica e social, mas atualmente esses indicadores encontram-se em queda.

Em 2004, o país entrou para a União Europeia (UE), o que possibilitou a maior abertura do seu mercado e o desenvolvimento da indústria. Mas tal como todos os países da comunidade, a partir de 2007, a Polónia foi “arrastada” pela crise económica e financeira da Europa, começando aí o declínio social.

O ano de 2015 marcou a mudança na ideologia política vigente. O partido da extrema-direita Lei e Justiça ganhou as eleições legislativas (com 37,58% dos votos) e o seu candidato presidencial, Andrzej Duda, saiu vitorioso com 51,5%, na segunda volta. Desde então, o sistema político tem sofrido muitas mudanças, começando pelas decisões “anti-europa” e “anti-imigração” e passando pela “quase-fusão” do poder judicial com o executivo, onde o novo governo aprovou leis para enfraquecer o tribunal constitucional e aumentar o controlo estatal dos media.

Durante a sua apresentação, Marcin Polakowski exibiu alguns anúncios propagandísticos de partidos polacos em 1998, 2004 e 2015. “Observou-se uma nítida mudança no sistema de comunicação política, com os partidos de extrema-direita a inovarem, conseguindo chegar a eleitorado que nunca votou ou que ultimamente não votava, através de promessas de ajuda aos mais carenciados e, sobretudo, aos jovens e idosos”, concluiu o docente. O sucesso da propaganda destes partidos foi também conseguido pela grande aposta nas novas tecnologias e redes sociais online, sendo o Facebook e o Twitter as principais redes de “propaganda gratuita”.

No decorrer do debate foi abordado o tema da UE, uma temática sensível para a opinião pública polaca: “A permanência na UE é um tema que começa a marcar a agenda”, sublinhou, acrescentando que “a UE não é capaz de formular uma narrativa europeia convincente”. A Polónia é agora um país com muitas dúvidas sobre o seu papel nesta instituição e as mais-valias que a mesma lhe proporciona. A política de acolhimento de refugiados e a questão da insegurança constituem os pontos mais sensíveis da discussão.

Texto originalmente publicado na Nova Magazine

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Apócrifa, o ponto de encontro de jovens poetas

O Jornal i dedica uma reportagem à revista poética nascida na FCSH/NOVA.

Por iniciativa de um grupo de alunos da FCSH/NOVA, liderado por Vasco Macedo, nasceu em 2014 a revista Apócrifa, com o objetivo de promover a difusão de obras elaboradas por jovens com idades compreendidas entre os 17 e os 30 anos.

A maioria das obras, afirmam os responsáveis, nunca tinham sido publicadas anteriormente, o que foi para muitos uma interessante janela para a divulgação de matéria própria. A mistura de juventude e originalidade têm resultado num grande sucesso: até hoje, a publicação conta com cinco números publicados e mais de mil exemplares vendidos.

Com esses dados do êxito, o Jornal i, publicou uma reportagem sobre o proposta, que busca ampliar horizontes. O texto, assinado por Cláudia Sobral, faz um repasse pela história da revista, desde os seus inícios como sessões de leitura de poesia até a criação da edição em papel, que tem difundido obras de 24 autores diferentes. Todos eles já formam parte da chamada “novíssima geração da poesia portuguesa”, pelo contacto com correntes estéticas emergentes noutros países europeus e recuperação de grandes nomes da poesia portuguesa do século XX.

Cada número é constituído por uma secção de dispersos e outra temática, onde já foram tratados Prometeu, Fausto, Cesariny, Cerberus e Narciso.

Podem ler o artigo completo aqui.

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Prémio de Jornalismo Radiofónico RUC/Antena 1/Antena 3

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Rúben Portinha, antigo aluno da FCSH/NOVA, recebe o primeiro galardão de Jornalismo Radiofónico atribuído pela Rádio Universidade de Coimbra, Antena 1 e Antena 3.

Rúben Portinha, licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH/NOVA, conquistou o primeiro Prémio de Jornalismo Radiofónico concedido pela Antena 1, Antena 3 e Rádio Universidade de Coimbra. A distinção surge na sequência desta última rádio estar a comemorar os 30 anos “ao serviço da comunidade”.

O vencedor concorreu ao concurso com um trabalho original sobre inclusão social intitulado “A nossa arte”, onde apresenta uma seleção de “projetos que promovem a inclusão de pessoas com deficiência no meio artístico”, afirma.

A principal motivação do jovem profissional para participar no concurso, segundo as suas palavras, “foi muito simples e natural”, garantindo que “a rádio sempre foi a minha grande paixão, o meu grande objetivo em termos profissionais, embora ainda não tenho conseguido atingir. Espero que este prémio seja um impulso para que isto possa acontecer num futuro”, completou.

O júri do Prémio de Jornalismo Radiofónico, atribuído este ano pela primeira vez, foi composto pelo jornalista e investigador Adelino Gomes, Diana Craveiro, em representação da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), e Mário Galego, da rádio pública portuguesa. O valor monetário da distinção é de 1.500 euros.

A cerimónia de entrega do galardão vai ter lugar em Coimbra, em local a anunciar, na próxima segunda-feira, a 6 de junho.

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#Curtas: um olhar vale mais que uma palavra

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A curta-metragem “A Ordem das Palavras”, de Sara Alves, aluna da FCSH/NOVA, mostra a sua visão pessoal do tema “Igualdade de género/ Discriminação em função do género” sem pronunciar uma palavra. E já lhe valeu um prémio.

Foi com a curta-metragem “A Ordem das Palavras” que Sara Alves venceu o concurso “STOP- Sem Tabus, Opressões e Preconceitos”, lançado pelo Concelho Nacional de Juventude em 2015, demonstrando quais as palavras de ordem no mundo de hoje em relação ao papel da mulher.

A realizadora, licenciada em Ciências da Comunicação pela FCSH/NOVA, criou uma curta-metragem sem voz, apenas com algumas palavras e frases, e concebida maioritariamente a preto e branco: algo bastante simples, mas marcante, o que talvez lhe tenha proporcionado o merecido prémio. Esta escolha é visível tanto nas frases que vão aparecendo ao longo da curta, como na roupa dos próprios personagens: a rapariga, vestida de branco – metáfora da pureza, a inocência, submissão –, e os rapazes de preto, demonstrando exatamente o oposto.

A ação do filme desenrola-se num suposto palco com uma rapariga no centro – a representar as mulheres no mundo de hoje. Entretanto, vão entrando e saindo rapazes que deambulam pelo palco e usam a “mulher” como objeto para aquilo que lhes apetece. Estes vão colando as ditas “palavras de ordem” em diversas zonas do corpo da rapariga, estando esta imóvel e mostrando-nos aquilo que realmente sente apenas através do olhar – olhar este que realmente marca muito a curta. Estes acontecimentos, conjugados com frases que nos dão dados reais em relação ao tema em questão e que vão passando ao longo dos cerca de 2 minutos de filme, pretendem fazer o público pensar naquilo que ainda acontece em pleno seculo XXI.

Esta curta-metragem apresenta ainda uma banda sonora bem escolhida que dá emoção à ação e serve de certa forma como uma linha condutora. A música presente, intitulada “The Last Day”, tem também a capacidade de despertar sentimentos no público, ao evocar, em alguns momentos, repudio e ansiedade junto daqueles que observam o filme. Podemos ter também em consideração que a banda sonora escolhida tem a voz de uma mulher, o que está, decerto, relacionado com o próprio tema deste trabalho.

Além da banda sonora, existem apenas dois sons audíveis durante toda a ação – um grito conjunto de dois rapazes e o suspiro da rapariga no final quando consegue arrancar o papel onde se lê “Submissão” que está colado na sua boca. O facto de estes serem os únicos sons da curta tem muito que se lhe diga. O grito protagonizado pelos dois rapazes quando agarram o pescoço da rapariga quer demonstrar, nada mais nada menos, que a violência sofrida pelas mulheres à volta do mundo. Pode ainda querer dar a ideia da superioridade e força do homem em relação à mulher que não emite qualquer som enquanto a ação se desenrola. Já o suspiro final da rapariga parece querer representar a libertação, ou tentativa de liberdade, por parte das mulheres em relação àquilo que lhes é ainda imposto. Pode também querer mostrar o desespero pelo qual muitas mulheres ainda passam. Para além disso, este som marca o final da curta, sendo por isso um elemento bastante importante da mesma, podendo ainda transmitir aos espectadores aquilo que eles próprios sentem ao ver o filme e ao colocar-se no lugar da rapariga.

Sara Alves apresenta-nos neste trabalho a mulher como um objeto nas mãos dos homens, que lhe fazem o que querem, sem que esta consiga fazer nada. As palavras coladas no seu corpo vão desde “Demérito”, “Objeto” a “Submissão” e os toques dos rapazes na rapariga chegam até a ser chocantes, tudo isto para tocar na sensibilidade do espectador e mostrar, apenas um bocadinho, daquilo que realmente acontece.

Um trabalho bastante profissional e eficaz. Nota-se que os recursos que Sara possuía para realizar esta curta-metragem não eram muitos; no entanto, a mensagem está lá, o que o torna ainda mais poderoso.

“A Ordem das Palavras” é um grito de ajuda e, ao mesmo tempo, de apoio a todas as mulheres do mundo. De forma simples, mas bastante eficaz, o espectador é arrebatado por palavras, frases e um olhar tão fortes que é impossível ficar indiferente. A realizadora consegue mostrar com este filme que é possível falar sem pronunciar uma palavra.

A curta-metragem de Sara Alves consegue realmente cumprir o seu principal objetivo: chamar a atenção para o problema que ainda existe da igualdade de género e levar-nos a, pelo menos, pensar sobre o assunto.

Texto originalmente publicado na Nova Magazine

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O que fazer depois do PhD?

Filipa Moraes

Informar os estudantes sobre as possíveis carreiras a considerar após a vida académica é o objetivo do workshop “O que fazer depois do PhD?”, dirigido por Filipa Moraes, gestora do website Ciência Clara, doutorada em Biologia pelo ITQB/NOVA e Advanced Training Manager no Instituto de Medicina Molecular (iMM).

O evento, a realizar no dia 30 de maio, às 11 horas, no Auditório da Biblioteca da Faculdade de Ciência e Tecnologia da NOVA (FCT/NOVA), é destinado a doutorandos ou pós-docs, empresas ou coordenadores e diretores de programas doutorais e mestrado.

A entrada é livre, mas requer inscrição prévia.

Informações adicionais

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Almada – A vida e a obra eternizadas ao público

450836Há um grupo de investigadores que tem vindo a trabalhar em torno do espólio de Almada Negreiros, um dos autores mais notáveis da geração de Orpheu. Centenas de documentos que vão desde cartas anónimas a fragmentos de poesia já se encontram digitalizados e disponíveis ao público por via da Internet.

Num dos escritórios de um edifício antigo junto ao Miradouro de Santa Catarina em Lisboa, também conhecido como Adamastor, podemos encontrar o espólio de Almada Negreiros que se encontra à guarda dos seus herdeiros. Nesse mesmo espaço – onde a arte e a história se cruzam e florescem a cada instante – acumulam-se inúmeros documentos de todos os tipos pertencentes a uma das figuras mais ímpares da cultura portuguesa. No escritório trabalham todas as semanas investigadores que desenvolvem tarefas como a catalogação da obra e da vida de Almada e da sua mulher, Sarah Affonso.

A poesia flutua no silêncio da sala. O olhar cruza-se com uma miríade de objectos que espelham o homem e o génio. Numa das faces da mesma encontramos uma fotografia de grandes dimensões, a preto e branco de Almada Negreiros. A sua expressão é serena e contemplativa. Nos flancos, na geometria das estantes, concentram-se dossiers que acumulam o pó e a vida. Na lombada de um deles podemos ler “Manifesto Anti Dantas”. Sobre a ampla secretária que ocupa uma área significativa do escritório, Sílvia Laureano Costa – uma das investigadoras que trabalha em prol do espólio do autor – pousa com minúcia um envelope pertencente ao ano de 1917 que já foi exposto e publicado em alguns catálogos: “Julgamos que terá sido o envelope que serviu para Almada enviar ao Amadeu de Souza Cardoso as provas do K4 – o quadrado Azul”.

A investigadora encontra-se neste momento a desenvolver a sua tese de doutoramento sobre o “Teatro e a Estética Teatral de Almada Negreiros”. Desde 2011 que se juntou ao projecto de investigação, tendo sido bolseira durante três anos. O mesmo passou a ser financiado em 2011 pela FCT, ainda que a sua origem remonte ao ano de 2001: “Na pré-história deste projecto está o Luís Miguel Gaspar que foi ter com a família a fim de editar a obra de Almada na editora Assírio e Alvim. Depois, juntaram-se a ele o professor Fernando Cabral Martins e a Mariana Pinto dos Santos”.

O financiamento da FCT terminou no final de 2014. Houve igualmente o apoio da Biblioteca Nacional e da Fundação Calouste Gulbenkian. Actualmente a equipa de investigadores (coordenada por Fernando Cabral Martins) conta apenas com o apoio do IELT – que disponibiliza e continuará a disponibilizar bolsas para que haja novos investigadores a trabalhar em prol do espólio – bem como da família do autor que tem sido fundamental ao proporcionar não só o espaço para que o trabalho seja desenvolvido, mas também possibilitando o acesso a inúmeros arquivos. Não obstante, o projecto de investigação carece actualmente de financiamentos públicos ou privados que o possam catapultar.

No que concerne ao projecto Modernismo, este encontra-se directamente ligado ao trabalho que é desenvolvido em prol do tratamento do espólio do artista português mais multifacetado da geração dos anos 10. É no portalwww.modernismo.pt que podemos encontrar um número muito significativo de arquivos que reflectem a vida e a obra de Almada. Contudo, o projecto não se limita ao mesmo, pretendendo abarcar as obras de outros autores do modernismo: “Temos em vista uma parceria com a Casa Fernando Pessoa, um trabalho sobre o espólio de Mário de Sá-Carneiro ou, por exemplo, uma colaboração com a Biblioteca de São Miguel que tem à sua guarda o espólio de Côrtes-Rodrigues”, esclarece Sílvia Laureano Costa.

Manuela Parreira da Silva é professora auxiliar no Departamento de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. No que diz respeito aos trabalhos de investigação, dedica-se ao estudo dos espólios de Fernando Pessoa e de Almada Negreiros. As suas funções centram-se no âmbito da correspondência. A investigadora sublinha a importância desta área: “O espólio epistolar de um autor é reconhecidamente considerado da maior relevância não só para o conhecimento da sua biografia, mas sobretudo da sua obra. Ele permite, por exemplo, datar documentos e assistir à génese de determinados trabalhos. No caso de Almada, é importante ver em que circunstâncias se fizeram e aceitaram/recusaram encomendas, além de poder conhecer o modo como o autor foi vivendo, e às vezes sofrendo, o seu processo criativo”.

A correspondência do autor encontra-se organizada por ordem alfabética e é variada na sua tipologia. Existem cartas de amigos, outras encontram-se relacionadas com questões laborais, como são exemplo as cartas oriundas da Sociedade Portuguesa de Autores, entre outros tipos de correspondência. Existe um documento particularmente curioso que Almada decidiu conservar até ao fim da sua vida e que se trata de uma carta anónima onde alguém criticava o autor, defendendo que o mesmo não tinha qualquer aptidão para a geometria e que deveria deixar de se dedicar a esse âmbito.

Simão Palmeirim Costa é investigador do projecto e encontra-se concomitantemente a realizar o doutoramento em Ciências da Arte como membro do CIEBA, da FBAUL, com bolsa da FCT. É na componente da geometria e das obras plásticas que se foca o seu trabalho de investigação em torno do espólio de Almada Negreiros. As suas funções abarcam a inventariação e captação de imagens, tanto de desenhos e de vários cadernos de estudo, como de textos do autor: “Isto tem levado, em colaboração com o professor Pedro J. Freitas, a uma série de novos desenvolvimentos no que diz respeito a uma compreensão aprofundada das obras icónicas de Almada Negreiros, como as quatro pinturas de 1957 da colecção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, ou o grande painel gravado em pedra no átrio da mesma fundação, intitulado Começar, de 1969?, revela o investigador.

Neste momento, aproxima-se dos dois mil o número de documentos de Almada que se encontram catalogados. Estima-se que ainda esteja por inventariar o dobro dos arquivos de espólio pertencentes à família. Pela sua dimensão e relevância para a cultura portuguesa – tanto o projecto de investigação sobre o espólio de Almada Negreiros, como o projecto Modernismo – devem contar com um financiamento regular e significativo.

Texto originalmente publicado na Nova Magazine

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Alunos da NOVA a caminho de Fátima

NEC

O que motiva um universitário a peregrinar a Fátima em pleno mês de Junho, podendo aproveitar para descansar, ir à praia ou estudar para os exames?O Núcleo de Estudantes Católicos (NEC) da FCSH/NOVA está a organizar a sua primeira peregrinação a Fátima. Os universitários partem no dia 8 de Junho de Lisboa e regressam no dia 12. O objetivo da peregrinação é ajudar os jovens a meditar e apensar no que é verdadeiramente importante para eles.

Matilde Bonvalot, de 20 anos de idade, é a coordenadora do NEC há um ano. Considera que organizar a primeira peregrinação vai ser “uma aventura”. “O NEC já tem alguns anos, mas foi apenas neste que começámos a investir mais em programas semanais, mensais, e outros pontuais. A peregrinação será o ponto alto do nosso segundo semestre”. Os jovens partirão de Lisboa (local exato ainda em estudo) e vão caminhar até ao santuário de Fátima durante quatro dias, acompanhados pelo padre Nuno Amador, responsável pela pastoral universitária. Vão ser-lhes proporcionados vários temas que os ajudem a rezar e meditar durante o percurso. Haverá também muito tempo para conviver e fazer novas amizades com pessoas que partilham os mesmos ideais e convicções.

António Telles Costa, estudante de Arqueologia na FCSH/NOVA, já reservou essa semana na agenda para se juntar ao NEC na peregrinação. Para ele, a grande razão que o motiva a fazer a caminhada é a fé. “Saber que quando voltarmos vimos de lá cheios. Cheios de quê? Não sei, talvez de uma alegria que não tem explicação e que todos podemos experimentar.”

O estudante afirma também que para além de encontrar muitas respostas para a sua vida, encontra-se a si mesmo. “Cada vez que faço uma peregrinação, sinto que me encontro a mim mesmo. Cada testemunho que ouvimos, cada experiência que vivemos, cada partilha que fazemos e cada amigo que trazemos para casa. São estes momentos e estas amizades, as chamadas ‘amizades em Cristo’, que nos fazem crescer e saber o que queremos.”

O NEC da FCSH/NOVA foi criado em 2011 depois do primeiro ano de Missão País na faculdade. A Missão País é um projeto católico que organiza e desenvolve Missões Universitárias em várias faculdades de Portugal: de Braga a Beja passando pelo Porto, Lisboa e Coimbra. Trata-se de uma semana de acção social que decorre entre o 1º e o 2º semestre na qual, todos os anos, milhares de jovens dão testemunho da sua fé pretendendo mostrar como ela se vive através da caridade e do serviço aos outros.

Inspirados na semana de Missão, alguns universitários da FCSH/NOVA consideraram importante criar um grupo de onde surgiram varias iniciativas sociais: terço às quartas-feiras na faculdade, almoços, missas para universitários, convívios e agora a peregrinação anual. Segundo a coordenação atual do NEC, “o objetivo é contribuir para formar católicos coerentes com a fé que se destaquem pelo seu compromisso com a Igreja, com a sociedade e com o estudo”. O NEC tem vindo a crescer e atualmente conta com quarenta membros.

A peregrinação é aberta a todos os universitários independentemente da faculdade que frequentam. Porém, é dada prioridade na inscrição, entre os dias 5 e 25 de Maio, aos estudantes da FCSH/NOVA, pois as vagas são limitadas. Os alojamentos e outros pormenores de logística ainda estão por definir.

Texto originalmente publicado na Nova Magazine

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