3 é a conta que Reis fez

Nuno Reis

Nascido em Lisboa, viveu alguns anos em Carnaxide, mas rapidamente voltou para a capital. Portador de uma voz inconfundível, Nuno Reis começou uma carreira na rádio muito novo. Hoje, é o diretor da Antena 3. 

Aos 14 anos, Nuno foi convidado por um amigo de uma rádio de Paço d’Arcos – a Rádio Comercial da Linha – para fazer um programa. “Ele sabia que eu tinha um bom gosto musical e já tinha a voz um bocado grossa nessa altura”, lembra. “Então convidou-me para fazer um programa ao fim de semana e, poucos meses depois, convidaram-me para fazer um programa diário.”

Os pais não concordaram totalmente, uma vez que Nuno ainda era muito novo. Porém, com grandes condições, a rádio começou a fazer parte da sua vida. “E a partir daí nunca mais parei”, conta. Nessa altura, os estudos foram ficando para segundo plano.

Há quase 30 anos, “a rádio ainda era um meio muito presente na vida dos jovens. Eu adormecia todos os dias a ouvir rádio”, lembra. Nessa altura, o atual diretor da Antena 3 seguia religiosamente três ou quatro grandes nomes da rádio. Entre eles, destaca Francisco José Viegas, António Sérgio, com o programa “Som da Frente”, António Macedo ou, atualmente, colegas seus, como Henrique Amaro.

Porém, o locutor que mais o influenciou foi Rui Morrison, com “Morrison Hotel”. “Ele muitas vezes falava no início da hora e depois só voltava a falar no fim da hora. Digamos que a conversa era feita pela música, e isso era perfeito”, afirma.

Apesar de licenciado em Ciências da Comunicação, Nuno sempre gostou da rádio pelo lado da música. “Há muitas pessoas que vêm para a rádio ou para a televisão porque gostam de comunicar. Eu nunca tive esse chamamento, para mim a rádio sempre foi música e partilhar música com os outros. É isso que me atrai, a conversa nunca foi o meu mote”.

No entanto, o diretor da 3 gosta de ouvir rádio pelo aspeto mais conversacional. “Hoje em dia o que eu procuro na rádio é a palavra, curiosamente. Eu não gosto de dar, mas procuro nos outros. É o que mais me atrai para ficar a ouvir um programa…sempre gostei de ouvir entrevistas”, revela.

 

Luís Oliveira trabalha com Nuno na Antena 3 há alguns anos, mas demoraram a desenvolver uma amizade. “Ele é tímido e passa uma imagem de distante”, revela. Eventualmente acabariam por perceber que tinham interesses em comum para além da música: “Hoje em dia diria que temos uma amizade sólida”, comenta. Luís destaca ainda a capacidade que o diretor da rádio tem de aprender depressa e perceber, perante um desafio, quais as suas forças e fraquezas. Para além disso, como amigo, Nuno “valoriza muito o convívio e motiva-se quando está a discutir e a trocar ideias, mesmo que diferentes das suas”.

Pelo meio da sua rotina diária, na qual a rádio ocupa a maior parte do tempo, Nuno gosta de incluir pequenos prazeres. “Jogar ténis, comprar música, livros, filmes” são atividades que privilegia. “Jogar ténis deixa-o muito feliz”, conta Patrícia Castanheira, que conhece o marido há cerca de 30 anos. “Se pudesse fazer uma coisa na vida era jogar ténis”, concorda o radialista. Pelo contrário, “condutores maus e lentos” estariam no top das coisas que mais o irritam.

Para além do ténis, Nuno tem uma grande paixão pelo Benfica, o seu clube desde criança, e considera “ouvir música” um hobby sem o qual não se imagina. “A música tem um papel fundamental na minha vida. Sempre teve. E ainda bem”, afirma.

Atualmente, lamenta a “falta de surpresa” para a qual a grande maioria das rádios tem caminhado. “Uma das coisas boas da rádio é que ela pode surpreender” e, sem esta capacidade, perde-se um pouco a “magia”. Com isto em mente, Nuno tenta estimular a capacidade que os locutores da rádio que dirige têm de surpreender. “Ainda hoje de manhã aconteceu, vinha no carro e a equipa da manhã passou uma música que faz parte das minhas memórias, foi um momento de epifania”, conta.

Hoje em dia, qualquer um pode vingar na rádio. “A voz é uma parte importante mas tem vindo a perder importância”, comenta. É claro que uma boa capacidade vocal é uma vantagem, porém, não tendo a chamada voz “de parar o trânsito”, um bom gosto musical ou mesmo a facilidade em comunicar, “dão a volta a essa característica menos vincada”, garante Nuno.

A experiência na Universidade Nova de Lisboa

No entanto, “quem tem uma má voz, uma voz de cana rachada, uma má dicção, dificilmente vai conseguir fazer rádio porque se torna ruído”, acrescenta. No fundo, ter uma boa voz ajuda mas “não ter uma boa voz não condena ninguém a não fazer rádio”, conclui o diretor da 3.

Apesar de se encontrar num momento mais estável da sua vida profissional, houve uma altura em que Nuno sentia que precisava de “estimular os neurónios”, algo frequentemente deixado de lado com a entrada no mercado de trabalho.

Com pouco mais de 30 anos, candidatou-se então à Universidade Nova de Lisboa e entrou no curso que queria, Ciências da Comunicação. “Foi uma experiência espetacular em várias áreas”, afirma.

Desde ler coisas que, sem ser num contexto universitário não leria, a questionar coisas que habitualmente consideramos adquiridas, ou mesmo interessar-se por matérias como Sociologia da Comunicação, vários foram os fatores que contribuíram para uma experiência universitária que Nuno caracteriza como “para lá de enriquecedora”.

Na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, descobriu “professores espetaculares, outros nem tanto”, e teve a oportunidade de conviver com “crianças”. “Essa frescura foi uma coisa muito estimulante, fazer trabalhos de grupo com miúdos de 17 anos, por exemplo”, conta.

“Era um aluno interessado e com um desempenho coerente com o facto de ser alguém que já tinha uma vasta e exigente experiência profissional”, lembra Sérgio Mah, professor na FCSH. Hoje, o docente e Nuno são amigos, tendo sido o ténis a paixão que os aproximou. “Ambos somos adeptos e praticantes obstinados deste desporto. Passámos a jogar com regularidade e rapidamente nos tornámos amigos. Além disso, temos outros interesses em comum”, conta Sérgio.

A trabalhar em simultâneo, Nuno demorou seis anos a concluir a licenciatura. “Foram tempos entusiasmantes, às vezes cansativos, complicados de gerir com o emprego”, lembra. Porém, há que ver o lado positivo: “Assim até tive descontos nos museus durante mais tempo”.

Três anos após terminar o curso, Nuno é o diretor da Antena 3 e caracteriza-se como alguém que adora o que faz. “É uma sorte espetacular gostar do que se faz todos os dias. É meio caminho andado para se ser feliz”, afirma.

Texto originalmente publicado na Nova Magazine

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Maria José Fazenda, a bailarina no palco da antropologia

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Começou a dançar por hobby na sua terra natal em Faro. Quis uma formação mais aprofundada e inscreveu-se na Escola de Dança do Conservatório Nacional. Maria José Fazenda foi bailarina e uma das primeiras mulheres a abordar a dança na antropologia em Portugal. Já não pisa os palcos, mas é protagonista de aulas, conferências e cursos de dança.

O caminho é feito através dos corredores labirínticos da Escola Superior de Dança (ESD), na Rua Academia das Ciências, em pleno Bairro Alto. Maria José Fazenda dirige-se para uma das primeiras aulas da manhã: História da Dança. São nove em ponto, o projetor já está ligado e as alunas do primeiro ano da licenciatura em Dança começam a chegar. Hoje a aula vai ser sobre o ballet de corte nos séculos XVI e XVII. Pode ler-se na projeção. “Descrevam o que viram”. É com este pedido sobre o prólogo e primeiro ato d’ A Bela Adormecida, avançando até ao século XIX, que Maria José se começa a dirigir às 12 alunas. Tem sido assim há quase 30 anos.

João dos Santos Martins, aluno de Maria José entre 2007 e 2010, destaca a forma como a professora estimulava as generalidades da dança. João começou apenas as suas aulas de dança na ESD. Antes só tinha tido um grupo amador. Maria José Fazenda foi uma das poucas pessoas que acompanhou todo o seu percurso profissional. Por isso, foi gratificante ter recebido, este ano, o prémio de Melhor Coreografia da Sociedade Portuguesa de Autores, com Projeto Continuado, sendo Maria José uma das juradas.

Revela que se acompanham mutuamente e que a investigação de Maria José é “um trabalho muito singular em Portugal na teoria sobre a dança coreográfica”. Não se esquece de que quando ia viajar, era a professora Maria José que lhe aconselhava os espetáculos que devia ver. “Ela é uma pedagoga muito apaixonada pela sua atividade”, resume.

Mas o ensino em dança começou no outro lado da rua, na Escola de Dança do Conservatório Nacional. Depois de ter feito uma formação de professores no Royal Ballet em Londres, Maria José foi convidada para dar aulas do primeiro ao terceiro ano. Se esta foi a sua paragem de 1985 a 1987, o seu caminho na dança começou no Algarve, no Conservatório de Faro. Foi aqui que a coreógrafa Madalena Victorino conheceu a jovem Zé, como lhe gosta de chamar. “Ela era mesmo muito jovem e tinha uma trança. Lembro-me lindamente”, recorda.

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Em provas no Conservatório. Maria José Fazenda entra na Escola de Dança do Conservatório Nacional em 1983.

Contudo, a jovem Zé começou a sentir a necessidade de ter um treino da dança além da atividade extracurricular. Interessou-se de tal forma, que “obrigava” a sua família a deslocar-se para Lisboa, onde fazia cursos de verão. “Havia este meu interesse pela dança e por seguir um percurso mais sério e mais diário. Percebi que aquela formação era insuficiente”, assume. Os cursos da Companhia Nacional de Bailado ou cursos organizados pela Gulbenkian foram o incentivo de que precisava para fazer uma audição ao quinto ano da Escola de Dança do Conservatório Nacional.

“Nessa altura, entrei eu e outra colega minha, que neste momento é minha colega também.” Fala de Vera Amorim. Atualmente, ambas percorrem os mesmos corredores na ESD. “A primeira imagem de que eu me lembro da professora Maria José Fazenda é dela à espera no átrio da Escola de Dança do Conservatório para entrar na sua audição.” Nesse ano estiveram as duas na mesma turma, quando terminaram o curso deixaram de ter contacto e voltaram a reencontrar-se na ESD. Desta vez era Maria José professora e Vera Amorim aluna.

Foi também neste período no Conservatório que Gil Mendo, o atual programador de dança da Culturgest, conheceu Maria José. Gil Mendo era professor na EDCN e reconheceu em Maria José uma aluna talentosa como bailarina e com fortes interesses nas questões culturais e teóricas. “Começámos por ser estudante e professor, tornámo-nos amigos e mais tarde colegas na Escola Superior.” O programador da Culturgest destaca o prazer de Maria José no “conhecimento rigoroso” e revela que muitos dos espetáculos que agenda os vê com Maria José.

Mas ainda com aulas de dança no Conservatório, Maria José Fazenda inscreveu-se em Antropologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. “Queria fazer Antropologia, não tinha dúvidas sobre isso.” Foi um período muito exigente, como a própria assume. Um dos pontos positivos era o facto de viver num lar de estudantes em São Sebastião da Pedreira, um local muito central. “Agora fechou e é um hotel de luxo, mas ainda lá está a janela onde era o meu quarto”, recorda com nostalgia.

Na Avenida de Berna, onde se situa a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, descobriu que a antropologia e a dança se podiam conciliar. Numa turma relativamente pequena, os professores acompanhavam de perto a sua atividade. “Todos aqueles professores com quem eu trabalhava sabiam que eu fazia dança. Aliás, um deles, o Jorge Fragoso, o saudoso Jorge Fragoso, chegou a vir aos meus exames no Conservatório Nacional.”

Estranhezas é uma peça estreada em 1990. Com coreografia de Paula Massano, Maria José Fazenda destaca também o contacto com dois outros criadores que apreciava muito: o compositor António Miliano, com quem tem mais tarde uma relação amorosa e com o Nuno Carinhas, que na altura fazia essencialmente trabalho de figurinos e de cenografia.

Estranhezas é uma peça estreada em 1990. Com coreografia de Paula Massano, Maria José Fazenda destaca também o contacto com dois outros criadores que apreciava muito: o compositor António Emiliano, com quem tem mais tarde uma relação amorosa, e com o Nuno Carinhas, que na altura fazia essencialmente trabalho de figurinos e de cenografia.

Nas aulas apontava todas as referências alusivas ao corpo e quando viajava aproveitava para comprar livros de antropologia que não existiam em Portugal. Ainda se recorda quando descobriu Anthropology of Dance, de Anya Peterson Royce. “Quando fui a Londres e descobri o livro disse: ‘Existe uma coisa que se chama antropologia da dança, que é o que eu quero fazer’”, relembra com entusiasmo. Foi a partir daí que descobriu que existiam antropólogas que tinham sido bailarinas e que tinham criado algo que se chamava Antropologia da Dança. Em plenos anos 80, enviou-lhes cartas para os EUA. “Tenho cartas da Joann [Kealiinohomoku] escritas à máquina.”

Tal e qual como as antropólogas Cynthia Novack ou Susan Foster, Maria José Fazenda teve experiência como bailarina. Dançou no Dança Grupo, com Paula Massano e com Madalena Victorino. Madeira Matéria, Materiais Pretexto para uma Ideia de Dança  é uma das peças que melhor recorda. O espaço era o Museu da Água e dançava com um engenheiro num espetáculo criado propositadamente para os dois. A preparar o espetáculo Companhia Limitada no Teatro Nacional D. Maria II, Madalena Victorino revela: “Naquela altura eu arranjava os elencos pelas pessoas que me aconteciam na vida. A Zé nessa fase aproximou-se muito de mim e da minha vida. Portanto, era natural que ela participasse”.

Madeira Matéria, Materiais Exportados para uma ideia de dança criada, em 1989, por Madalena Victorino. A criação foi pensada para Maria José Fazenda, bailarina, e José João Henriques, engenheiro civil. A criação e análise começou por ser feita na casa da própria coreógrafa.

 Madeira Matéria, Materiais Pretexto para uma Ideia de Dança criada, em 1989, por Madalena Victorino. A criação foi pensada para Maria José Fazenda, bailarina, e José João Henriques, engenheiro civil. A criação e análise começou por ser feita na casa da própria coreógrafa.

Foi ainda no Dança Grupo que encontrou Vera Amorim de novo e ainda chegou a dançar dois espetáculos. Mas confessa: “Para mim o que era importante era a construção das peças”. Ainda chegou a fazer uma audição para o Ballet Gulbenkian, em que não entrou, mas para si o mais importante era a experiência. “O dançar era importante, mas não o estar em palco. Isso eu percebi muito rapidamente. Hoje eu tenho um prazer infinito em dar uma conferência.”

Maria José Fazenda em Diário de um Desaparecido filmado na Tapada da Ajuda, em 1992 , para a RTP.

Maria José Fazenda em Diário de um Desaparecido filmado na Tapada da Ajuda, em 1992 , para a RTP.

Paula Teixeira, amiga há 18 anos, revela o contágio que Maria José causa com as conferências. Além do interesse profissional, a editora executiva da Agenda Cultural de Lisboa, diz que a amiga lhe vai contando pormenores. “Depois, é difícil resistir a conhecer a versão final”, remata Paula.

“Eu vejo as pessoas e eu gosto de ver as pessoas com quem estou a comunicar”, afirma Maria José sobre a sua interação com o auditório. É por isso que se encontra hoje a dar aulas na Escola Superior de Dança. A aula já vai a meio e as alunas não se restringem a fazer questões. “De onde é que isto vem? É uma boa inquietação”, diz Maria José sobre os desafios colocados pelas suas ouvintes. Mesmo estando no século XVII, as comparações da professora com a atualidade não param: “Quem fazia as suites eram os DJs da altura. Era música alive”. Surge a animação geral na aula.

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Alunos de 2004 como Bruno Alexandre – que se estreia hoje (29 de abril), como intérprete, Antes que matem os Elefantes, com a Companhia Olga Roriz – ainda sentem o eco das aulas de Maria José. “As questões que eram trabalhadas nas aulas ainda ressoam em mim, e duma forma particularmente vibrante agora que me encontro num duplo desafio: o de coreógrafo e o de estudante de Mestrado em Artes Cénicas na FCSH, que se está a propor criar ligações entre Dança e Cinema.”

Foi como coreógrafo em Cinemateca que Bruno ouviu um feedback muito positivo da sua antiga professora. Enquanto intérprete diz que, mesmo mais tarde, chega-lhe sempre a sua opinião e confessa: “Sabe sempre bem”.

Desde 1988 que a Escola Superior de Dança tem sido parte da casa de Maria José. A Comissão Instaladora da ESD convidou-a para lecionar uma nova cadeira: Antropologia da Dança. Começou com um seminário e depressa se estendeu para uma disciplina. Foi logo nesse primeiro ano que encontrou como aluna a atual Diretora da Escola Superior de Dança, Vanda Nascimento. Vinda aos 25 anos da Escola de Dança da Secretaria de Estado da Cultura, em Angola, Vanda destaca: “Posso dizer que a Maria José foi uma pessoa muito importante na minha formação, porque eu tinha uma formação muito prática”. Foi uma abertura ao conhecimento e à escrita. “Ainda hoje quando escrevo um texto é à Maria José a correr que eu vou. E quando ela me dá a apreciação eu fico super descansada.”

Hoje Maria José alargou o leque das suas disciplinas na ESD. “Depois de ter feito todo esse trabalho de caráter antropológico foi importante retomar a importância da história,” afirma. Daí surgiu como professora de História da Dança. “Onde é que o criador se situa, onde é se posiciona, de que lugar ele vê o mundo?Trabalhar sobre um criador em Portugal é diferente de um criador que está em Inglaterra ou que estava nos EUA,” explica. Outra das suas disciplinas é Apreciação da Dança, que conta com a sua experiência de dez anos no jornal Público.

Durante muito tempo fez um trabalho que classifica como obsessivo a nível da escrita de dança. Desde entrevistas, previews e críticas, a sua ideia sempre foi uma: “Estou a escrever para um leitor que não conheço. Eu não escrevia para o artista nem para o bailarino”. E como é que o fazia? “Eu lia muitas vezes uma secção que havia no Público que eram as cartas ao Diretor.” Aí percebia quem eram os leitores do jornal. “Essa era a minha bitola.”

Dessa altura recorda-se das entrevistas que fez a Yvone Rainer, a Merce Cunningham ou a Bill T. Jones. Também não esquece os grandes jornalistas e os diretores com quem foi contactando e aprendendo. Relembra com saudade Vicente Jorge Silva e recorda a confiança depositada nos colaboradores: “Para sair ao estrangeiro e ver obras eu dizia: ‘Vicente olhe, eu acho que isto é muito importante porque a obra vem cá e eu tenho expetativas que ela seja muito importante’. Ele olhava para mim e dizia-me: ‘Você acha que isso é mesmo importante?’ E eu dizia: ‘É, é muito importante’. ‘Então vá, vá tratar da viagem’.”

O seu interesse pelo jornalismo começou na sua adolescência, ainda quando estava no Algarve. A adolescente Maria José recolhia notas, entrevistas e fotografias, depois publicadas no Correio da Manhã.Ainda sem carta de condução, precisava de ajudas e foi aqui que entrou a sua tia Glória Pereira. A tia levava ao local e ainda hoje se recorda duma situação em particular.Num domingo pela manhã, fui acompanhar a ‘jornalista’ a uma lixeira a céu aberto, junto à Ria Formosa, perto de Olhão, onde viviam famílias em barracas e onde as crianças brincavam enquanto procuravam restos de comida.”

Assume nunca ter sido escritora e para entrar nos artigos, lia Eça de Queirós para apurar a pontuação e Proust para aperfeiçoar a descrição. Saiu do jornal em 2002: “Acho que é preciso renovar e depois apareceram outros jovens como a Lucinda Canelas”.

Outros dos motivos pelo qual deixa de colaborar no jornal é por não conseguir conciliar com o trabalho académico. Diz que não é de fazer as coisas a meio. “Tenho muito esta presunção de ser útil. Penso sempre como posso ser útil em determinado contexto e para a comunidade.” É por essa presunção que continua a fazer conferências, não necessariamente para um público especializado em dança, como é o caso do Curso de História da Dança na Companhia Nacional de Bailado (CNB).

Numa sala de aulas adaptada dentro de um estúdio no Teatro Camões, Maria José é auxiliada por Pedro Mascarenhas, antigo bailarino da companhia e atual assistente no Departamento de Comunicação. O curso faz um percurso pela História da Dança permitindo aos alunos verem ensaios e espetáculos da CNB. A sala preenche-se com médicos, advogados, psicólogos ou professores de dança e para Pedro tudo tem resultado porque a Maria José “é super comunicativa, tem uma abordagem muito prática e muito acessível”.

Revela que quando era bailarino acompanhava os seus artigos no Público. Pessoalmente, apenas a conheceu há dois anos a propósito da conferência sobre o bailado Quebra Nozes. Desde ali que o debate entre os dois começou e ainda hoje Pedro confessa: “Às vezes estamos em desacordo, mas de uma forma muito boa. Ok, eu vou perceber o que me estás a dizer.”

Para uma das capacidades que mais elogia em Maria José é a sua posição de isenção sobre o que está a falar. “É deslumbrada mas sem o ser, sem a influenciar. Ela consegue falar num período, numa época e num bailado independentemente daquilo que ela acha e isso é extraordinário.”

Quanto aos espetáculos, continua a acompanhar. “Tenho arquivos de notas sobre muitos espetáculos a que assisti, que me são sempre muito úteis para as aulas e futuramente para textos”. Um dos últimos a que assistiu foi Rule of Thirds, protagonizado por quatro dos seus antigos alunos. “Também tirei essas notas e depois passei para computador. Fica logo tudo limpinho.”

Margarida Belo Costa foi uma das alunas desse espetáculo e foi com prazer que recebeu o sorriso e a felicitação da sua antiga professora na estreia da peça. Aluna entre 2009 e 2012, recorda as aulas como “momentos de partilha”. Assume que as suas lições a ajudaram enquanto espetadora e na passagem para a vida profissional. “Ajudou-me no sentido de contextualização, relativamente à inserção do meu trabalho enquanto bailarina e criadora nos dias de hoje, ao tipo de pensamento e à sua análise.”

Também é Maria José que leva os seus amigos a espetáculos. Susana Pina é amiga de Maria José desde 1996 e revela que quando quer levar os seus filhos a espetáculos recorre a Maria José. Faz questão de destacar o sentido de serviço público da sua amiga e Presidente do Conselho Técnico-Científico: “Tenho-a visto recusar alguns convites para cargos, que seriam, a vários níveis, apetecíveis”.

Revela a personalidade multifacetada da amiga Maria José: “Na mesma conversa, podemos entrar num registo confessional e psicanalítico, discutir acirradamente qualquer assunto da atualidade e transitar abruptamente para wishlists de malas e sapatos”. Também Madalena Victorino destaca em modo divertido que a sua Zé se veste muito bem e é muito atenta à sua imagem. É assim que uma das suas alunas em aula, Sara Pereira, também a classifica: “Ela é uma diva”. As restantes colegas aprovam.

A aula está quase a terminar. Depois de se falar sobre os espetáculos do Rei Sol, as folhas de sala e de se questionar de onde vem o ballet, chegou a hora de falar das danças sociais da época. Maria José Fazenda levanta-se e começa a exemplificar o minuet, uma dança em fila, em que duas estudantes a ajudam. Susana Vilar, uma das alunas na aula, destaca a valência desta disciplina estrutural: “Consigo relacionar o conceito da dança com a dança que eu faço todos os dias”. É isso que a professora Maria José Fazenda pretende.

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Quanto à sua dança, mesmo que já não seja em palco vai ser sempre parte da sua vida. “Continuo a ver a dança como uma profissional, como um escritor ou alguém que estuda literatura, que certamente não poderá deixar de ler o maior número de livros possível.”

Texto originalmente publicado na Nova Magazine

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Grupo de Teatro da Nova: uma estreia e um regresso aos palcos já em Maio

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O Grupo de Teatro da Nova volta aos palcos no mês de Maio, com a estreia de O Percevejo e o regresso de Pánica.

O Percevejo, com encenação da atriz Marina Albuquerque, vai estar em cena no Teatro do Bairro, entre os dias 3 e 8 de Maio. Também a peça Pánica, produzida no ano passado, regressa, num espectáculo em Coimbra, a 18 de Maio.

O Grupo de Teatro da Nova (GTN) traz consigo uma longa história no teatro universitário em Portugal. Actualmente, tem a atriz e encenadora Marina Albuquerque a dirigir e conta com cerca de 15 alunos, representativos de várias universidades, mas, principalmente, da Universidade Nova de Lisboa. Os ensaios decorrem duas vezes por semana, às segundas e quartas-feiras, e têm lugar no piso -4 da Torre B da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.

O Percevejo estreia-se a 3 de Maio 

O GTN está neste momento a ensaiar O Percevejo, cuja estreia está marcada para o dia 3 de Maio, no Teatro do Bairro, localizado no Bairro Alto em Lisboa. Nesse mesmo dia, o GTN irá também fazer uma sessão especial no âmbito Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa.

Nas palavras de Marina Albuquerque, está é “uma peça visionária, uma comédia futurista”. Vladimir Mayakovsky, autor da peça, foi um dos grandes poetas da revolução soviética e do Futurismo Russo.

O Percevejo “é um bocadinho o Mayakovsky a gozar com as personagens que ele conhecia, com os membros do partido e por isso foi muito criticado”, explica a encenadora.

A peça começa nos anos 20 de Mayakovsky, mas faz uma viagem ao futuro imaginado pelo autor: “é como se fôssemos ver o que é o socialismo 50 anos depois. O protagonista acorda e diz, mas o que é isto? É só máquinas, máquinas, máquinas, as pessoas já não têm emoções, já não praticam sexo, isso já está resolvido, isso são coisas que já nem se sabe o que é que é”.

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Apresentação especial de Panica 

Panica, de Alejandro Jodorowsky, foi a peça que o grupo apresentou ao público no ano passado. Um espectáculo mais contemporâneo, marcou, em 2001, o regresso do autor ao teatro, depois de muito tempo a fazer cinema e banda desenhada. O GTN esgotou todos os espetáculos realizados e, no próximo mês de Maio, Pánica volta ao palco.

O espetáculo acontecerá em Coimbra, no Teatro Académico Gil Vicente, no âmbito de uma mostra de Teatro Universitário. Marina Albuquerque refere ainda que “No ano passado fomos à Corunha, foi muito giro, ao Festival Internacional de Teatro Universitário. Este ano também fomos convidados, mas eles acabaram por cancelar o festival”.

O teatro é “quase mágico” 

Os membros do GTN destacam a importância que o grupo tem para a sua formação pessoal, apesar de quão trabalhoso o projeto é. “Aprendi mais ali do que nos três anos de faculdade, cresci muito, conheci muita gente, fiz amigos para a vida e diverti-me imenso”, diz Marta Silva Correia, que participa desde o seu primeiro ano na faculdade.

Para Mariana Amorim, membro desde 2015, “o melhor é mesmo o frio na barriga antes do espetáculo, ou o silêncio da plateia quando estás em palco e percebes que toda a gente está ali para te ver. Para mim é quase mágico”.

“É uma forma de arte diferente. Tem a ver com a palavra, tem a ver com o controlo do nosso corpo e da nossa voz”, remata Marina Albuquerque, que considera que o teatro universitário continua a ser muito importante.

Texto originalmente publicado na NOVA Magazine, que optou por escrever na antiga grafia.
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#Livros: Também se falou português nos campos de concentração nazis

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O livro “Portugueses nos Campos de Concentração Nazis”, de Patrícia Carvalho, alumna de Ciências da Comunicação da FCSH/NOVA, dá a conhecer as estórias de portugueses que estiveram nas “mãos” do regime de Adolf Hitler.

O mais recorrente é associar a barbárie dos campos de concentração nazis a uma Alemanha preparada para a guerra e alimentada pelos preconceitos do antissemitismo. É possível também registar as consequências destes lugares nos países ocupados, seja pela destruição dos bens materiais ou pelas milhares de vidas dizimadas. Admitir que um país neutro como Portugal, durante a II Guerra Mundial, teve cidadãos em Auschwitz, Dachau ou Bergen-Belsen, já parece uma ideia mais difícil de engolir. Patrícia Carvalho desmonta parte da História que muitos desconheciam, ignoravam ou preferiam não falar e recordar. Portugal esteve nos campos de concentração nazis. Morreu e sobreviveu lá.

O ponto de partida deste livro começa em 2014 com uma reportagem multimédia do jornal Público assinada pela própria autora. “Portugueses nos Campos de Concentração Nazis – As Histórias dos Portugueses Deportados para os Campos da Morte de Adolf Hitler” nasce como um projeto jornalístico que ganha profundidade e dimensão, de forma exímia, em 256 páginas, pela editora Vogais, com fotografias do premiado fotojornalista Nelson Garrido.

A presença portuguesa em solo nazi revelou a Patrícia Carvalho a necessidade de contar as estórias destes portugueses: a maioria eram emigrantes, alguns eram membros da Resistência francesa e uma ínfima parte era judaica. Sem grandes floreados e assente nos valores do jornalismo, o livro rejeita a ficção e a narrativa histórica. Tudo o que é relatado e escrito resulta da investigação, confirmação e verdade dos factos.

Se a contextualização é imprescindível num trabalho jornalístico, a autora não deixou escapar esta importante componente de guiar o leitor e situá-lo nas problemáticas da época. O primeiro capítulo é a bússola de como tudo se passava na deportação de portugueses para campos de concentração nazis e certamente Patrícia Carvalho tinha noção da importância desta introdução, não fosse, ela própria, uma jornalista. As citações de algumas cartas e telegramas trocados entre políticos e funcionários governamentais são colocadas à nossa mercê e avaliação, com as pontas soltas do que foi e não foi feito.

A identidade dos portugueses foi desvendada a cada capítulo, com mais ou menos detalhes, consoante o rasto que deixaram nos arquivos nazis, nas instituições portuguesas, nos países para os quais emigraram e nas memórias dos seus descendentes. A autora admitiu as falhas dos documentos que encontrou, falsificados à altura dos acontecimentos pelo regime nazi, e as suas próprias ao colocar um ponto de interrogação em algumas datas e apelidos que podiam ser mal interpretados ou traduzidos para a língua portuguesa.

No entanto, mais do que os nomes portugueses, as fotografias de família ou os testemunhos agridoces, o leitor mergulha num manancial de números e viagens de comboio que comprovam parte da estatística portuguesa na Alemanha nazi. Caso o leitor se sinta um pouco perdido com tantos dados, lembre-se que se trata de um trabalho jornalístico com todo o caos a ele inerente. Patrícia Carvalho consegue, porém, organizá-lo subtilmente nesta obra.

“Portugueses nos Campos de Concentração Nazis” não será o livro para rir ou chorar a cada palavra. O mais provável é o leitor sentir a necessidade de fechar os olhos por um momento. As imagens de um campo de concentração e de uma carruagem de comboio sobrelotada formam-se inconscientemente e daí só se quer “fugir”. Talvez a dureza dos pensamentos justifique a reação ou talvez os retratos de família se tornem demasiado reais e nossos. Num abrir e fechar de olhos, aquela passa a ser a nossa História também.

Título: Portugueses nos Campos de Concentração Nazis

Autora: Patrícia Carvalho

Fotografia: Nelson Garrido

Editora: Vogais

Edição: Setembro de 2015 (1.ª)

ISBN: 9789898086730

 

Texto originalmente publicado na NOVA Magazine

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Casa de Pessoal da FCSH/NOVA na 39.ª corrida e caminhada da Liberdade 2016

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A Casa de Pessoal da FCSH/NOVA associa-se às comemorações do 25 de Abril através da participação na 39.ª corrida e caminhada da Liberdade, que se vai realizar em Lisboa na próxima segunda-feira, dia 25 de abril, pelas 10h30, doando 1€ a uma instituição de solidariedade social por cada Km percorrido pelos participantes da Faculdade, até ao limite de 50€.

Em 2015, na mesma iniciativa, a Casa de Pessoal da FCSH/NOVA doou material de pintura e desenho ao Hospital Pediátrico do IPO (ver noticia).

Participe nesta equipa!

Efetue a sua inscrição gratuita, até ao dia 20 de abril, no formulário de inscrição indicando como Equipa: Casa de Pessoal da FCSH/NOVA.

Os participantes que não fizerem a sua inscrição no prazo acima indicado, poderão inscrever-se nos locais de partida, até 30 minutos antes do início das provas.

 

Contamos com a vossa participação para atingirmos os 50 Km!

OPÇÕES DE PARTICIPAÇÃO:

  • Caminhada de 2,5 km

[Saldanha – Praça dos Restauradores]

Local de encontro: Saldanha (na entrada principal do Centro Comercial Monumental)

Hora de encontro: 10h00m

 

  • Corrida de 5 km

[Largo do Carmo – Praça dos Restauradores]

Local de encontro: Largo do Carmo (junto ao quartel da GNR)

Hora de encontro: 10h00m

 

  • Corrida de 11 km

[Pontinha (Quartel do R.E.1) – Praça dos Restauradores]

Local de encontro: Regimento de Engenharia Nº 1, Pontinha

Hora de encontro: 10h00m

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Um dia e uma noite para conhecer a FCSH

Todos os anos, desde 2010, a FCSH/NOVA abre as suas portas aos alunos do secundário para lhes mostrar as ofertas letivas. Neste ano, o NOVA Day & Night recebeu 500 alunos.

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O relógio marca as 13h00 quando começam a chegar, à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH), os primeiros estudantes provenientes de várias escolas secundárias. A chuva faz com que os cerca de 500 futuros candidatos tenham de ser recebidos dentro da Torre B. Depois de feito o check in, os estudantes são encaminhados para a cantina. Lá dentro, vários voluntários estão prontos para os receber e para falar sobre as 14 licenciaturas que a faculdade oferece.

Pedro Miguel Coelho, colaborador do Núcleo de Apoio ao Aluno e Candidato (NAAC), é o principal responsável por todos os eventos relacionados com a captação de alunos. “Há dois anos, em 2014, fizemos uma mudança completa no nosso Dia Aberto. Antes, tinha um formato mais tradicional, com sessões de esclarecimento e durava cerca de quatro horas”, conta Pedro. “Quero que os futuros alunos levem uma noção real de como é a experiência do ensino superior. Este é o principal objetivo do NOVA Day & Night”, justifica.

João Soeiro de Carvalho, subdiretor dos estudantes e presidente do conselho pedagógico, considera que o testemunho dos alunos da FCSH é extremamente importante, pois a mudança do ensino secundário para o ensino superior “é tremenda”: “Quando apresentamos cursos a partir das ofertas curriculares, nem sempre isto é uma comunicação muito transparente. Quando são os alunos a falar com os outros alunos, as coisas funcionam muito melhor”. Sobre o Dia Aberto, revela que “a faculdade é transparente, os alunos têm a possibilidade de ver como isto de facto funciona. Não estamos aqui a criar uma faculdade artificial. É por isso que pomos os nossos alunos a falar sobre a nossa faculdade, pois não há ninguém mais verdadeiro do que os nossos alunos”.

Devido à dimensão do evento, o NOVA Day & Night começa a ser organizado meses antes do próprio dia. “Logo em setembro, começo a pensar no Dia Aberto que irá ocorrer em abril do próximo ano”, comenta Pedro. Segundo ele, há que ter em conta o calendário do ensino secundário para que o Dia Aberto não se incompatibilize com os momentos de avaliação nas escolas secundárias. É um processo demorado que conta com a colaboração da associação de estudantes (AEFCSH), dos departamentos e núcleos, de pessoal docente e não docente. Pedro faz também referência à importância que o programa NOVA Embaixadores tem para o NOVA Day & Night. “Os alunos que pertencem a este programa realizam campanhas nas escolas secundárias, divulgando o Dia Aberto da FCSH. Têm também a função de receber os futuros alunos no próprio dia.”

Inicialmente programada para ocorrer ao ar livre, a sessão de boas-vindas decorre dentro do átrio da Torre B. João Soeiro de Carvalho substitui Francisco Caramelo, diretor da FCSH/NOVA, nesta sessão. Salienta que a FCSH é a única faculdade de Ciências Sociais e Humanas do país, onde se cruzam saberes tão diversos como a comunicação, a filosofia, as artes, a música, a história de arte, a educação, entre outros. “Todas estas abordagens de saberes são cada vez mais importantes na nossa sociedade contemporânea, que é uma sociedade de inovação, de empreendedorismo, mas que é ao mesmo tempo uma sociedade de conflito, como bem sabemos.”

Após falar sobre o domínio da investigação e sobre a internacionalização da faculdade, expõe que a missão da FCSH é “qualificar os jovens de Portugal”. Para terminar a sessão, Hugo Silva, presidente da associação de estudantes, fala sobre a AEFCSH.

Sessões de apresentação das licenciaturas

Depois de terminada a sessão de boas-vindas, os alunos são encaminhados para a primeira sessão de apresentação das licenciaturas. Rafaela, Maria da Fonseca, Maria Ferreira e André são quatro visitantes, todos eles vindos do Colégio Moderno, em Lisboa. “A maior parte dos alunos do secundário possui a ideia de que a faculdade é um mundo completamente diferente”, diz Maria Ferreira. “Este dia é importante porque consigo esclarecer as minhas dúvidas”. Maria pretende ingressar no curso de Estudos Portugueses e refere que “foi bom conhecer alguns colegas e professores”.

Na Torre A, decorrem algumas destas sessões de apresentação. Dulce Pimentel, coordenadora do departamento de Geografia e Planeamento Regional, fala com os estudantes sobre as saídas profissionais do curso e explica como é que estes devem dizer aos seus pais que vão estudar geografia. No auditório ao lado, decorre a sessão de Ciências Políticas e Relações Internacionais, onde são mencionados os estágios curriculares.

Na segunda sessão, é a vez de outros cursos serem apresentados. No auditório 1, da Torre B, decorre a sessão do curso de Ciências da Comunicação. Jorge Rosa, coordenador da licenciatura, dá início ao debate, juntamente com três ex-alunos, Joana Stichini Vilela (jornalista freelance), Joana Tadeu (bancária no Banco CTT) e Diogo Cavaleiro (jornalista do Jornal de Negócios), que falam sobre a sua experiência no curso e sobre a sua atual profissão.

Maria Leonor, aluna do Colégio Rainha Dona Leonor, nas Caldas da Rainha, quer entrar no curso de Ciências da Comunicação. “É um curso que abrange diversas áreas e, como sou uma pessoa muito comunicativa, acho que é o curso ideal para mim”, explica. Considera que a parte extra-curricular do dia é muito importante para a captação de alunos.

Na sessão conjunta entre o curso de Línguas, Literaturas e Culturas e o curso de Tradução, o ambiente é de descontração, enquanto Vanessa Boutefeu, professora de inglês, coloca algumas perguntas aos futuros alunos, sobre determinados conceitos da língua inglesa.

Ana Sofia Pancada, também aluna do Colégio Rainha Dona Leonor, revela ter vindo ao Dia Aberto da faculdade por estar indecisa em relação ao curso que quer ingressar, apesar de ter um especial interesse por Línguas, Literaturas e Culturas. “É muito difícil na minha idade escolher o que quero fazer para a vida toda. Porém, percebi que o curso é apenas um ponto de partida, uma vez que oferece a possibilidade de poder vir a fazer várias coisas.”

Churrasco e concertos

Dado por terminadas as sessões de apresentação, chega a altura de começar o churrasco. João Guilherme, vice-presidente da associação de estudantes, fala um pouco sobre o papel que a AEFCSH desempenha no Dia Aberto. “Temos que apresentar o tipo de atividades que a associação faz, e somos nós que oferecemos a diversão noturna. Se pudéssemos dividir o evento, o Night seria essencialmente da responsabilidade da AE”. Revela que um evento desta envergadura, demora meses a ser preparado. “Há toda uma preparação da logística, pensa-se num cartaz e vemos se esse cartaz se adequa ou não ao público-alvo.”

Apesar de o mau tempo ter feito com que parte do churrasco tivesse que ser transferida para o interior da Torre B, o ambiente é de descontração e confraternização. “O churrasco está a ser divertido, a música, a comida e a bebida estão boas e por agora não está a chover. Acho que a noite tem tudo para correr bem”, comenta Beatriz Pereira, aluna visitante.

João Guilherme afirma que “estas últimas horas são sempre mais complicadas, uma vez que é necessário estar a mudar toda a estrutura do churrasco para se dar início aos concertos que se realizam noutro recinto”. A noite de concertos começa ao som das músicas da Real Tuna Académica NeOlisipo. “Nunca tinha visto uma atuação de uma tuna, mas estou a adorar”, menciona Beatriz Pereira.

Ainda que tenha ocorrido um ligeiro atraso, quem se sucede na noite de concertos é a banda GROGNation. São muitos os fãs presentes e, apesar de os concertos terem sido transferidos para o interior do edifício, o ambiente que se vive é de grande animação e interação com a própria banda. A dupla DJ STIKUP e Cali (Flow212) são a atuação que se sucede e, para terminar a noite, sobe ao palco Urso Soares, figura que costuma marcar presença nas festas da faculdade.

A edição de 2016 do NOVA Day & Night chega ao fim e Pedro Miguel Coelho faz uma avaliação geral do dia que, apesar da chuva, teve um nível de participação idêntico ao do ano passado. “Estamos já a refletir nalgumas mudanças para o próximo ano, tendo em conta o feedback que nos foi transmitido pelos alunos do secundário e por professores, alunos e funcionários da faculdade”.

André Santos

Texto originalmente publicado na NOVA Magazine

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Já conheces a Uni Hub?

 

Lançada pela Nova SU, a Uni Hub é uma network que liga estudantes universitários, para juntos desenvolverem as  ideias empreendedoras e criarem startups e da qual a FCSH/NOVA é parceira.

Gostavas de participar numa startup criada por outros alunos? Ou tens uma ideia de negócio, mas para lançá-la precisas de pessoas com backgrounds diferentes do teu? Um estudante de Engenharia ou Gestão, por exemplo? Com a Uni Hub, consegues encontrar os parceiros ideais.

Mais informações em: www.facebook.com/unihublx

Registo em www.unihub.pt

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Visita de Estudo à Estónia de jovens jornalistas

image001És um jovem jornalista?

Queres passar uma semana na Estónia em agosto de 2016 a aprender mais sobre Estónia, a sociedade estónia e a maneira da vida estónia?

Em honra do 100.º aniversário da República da Estónia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Estónia em cooperação com a Chancelaria do Estado, convida 100 jovens jornalistas e/ou estudantes de jornalismo para uma viagem de estudo.

Envie a tua candidatura para uma Visita de Estudo à Estónia de jovens jornalistas, de 31 de julho a 7 de agosto de 2016

Os interessados devem enviar o seu CV e a carta de motivação para a Embaixada da Estónia – embassy.lisbon@mfa.ee  até o dia 11 de abril!

Mais informação: http://vm.ee/en/100-friends

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Bênção de Finalistas

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Maria Inês Miranda e Raquel Glórias, alunas da FCSH/NOVA que estão a organizar a Bênção de Finalistas, solicitam a divulgação da seguinte mensagem:


Decorre, até ao próximo dia 5 de abril, o período de inscrições para participar na Bênção de Finalistas 2016.

A inscrição terá um custo de 7,50€ (5,50€ para as despesas da organização + 2€ destinados à aquisição de uma oferta a entregar à Associação Crescer Ser). No ato da inscrição, os Finalistas poderão também entregar uma fita para ser assinada pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D.Manuel Clemente, e um envelope apenas com a morada dos pais, para que os mesmos recebam um convite formal para assistir/participar na celebração.

Pedimos que nos contactem através do nosso e-mail bf16.fcsh@gmail.com, logo que pretendam efetuar a inscrição para que possamos combinar uma data e hora para a recolha das contribuições e entrega do comprovativo de inscrição.

ATENÇÃO:

– Só deverão entregar as vossas contribuições a uma de duas pessoas – Maria Inês Miranda ou Raquel Glórias;

– Relativamente à cerimónia relembramos que o uso do traje académico NÃO É obrigatório.

Maria Inês Miranda e Raquel Glórias

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Resultado do concurso de Fotografia Infantil “Natal – Um olhar” – 7 aos 12 anos

 1º prémio – Subgrupo dos 7 aos 12 anos.

Carolina Correia, 7 anos, filha de Miguel Correia (Divisão Académica)

A FCSH/NOVA agradece a participação de todos! Parabéns aos “fotógrafos”!

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